Juíza nega mandado de segurança para Bola permanecer calado em depoimento

Bola está preso e foi apontado por J., de 17 anos, como o assassino da ex-amante do goleiro; segundo a versão, ele teria jogado os restos mortais de Eliza a cães da raça rottweiler após esquartejá-la

Eliane Souza, especial para O Estado

20 de julho de 2010 | 17h35

A juíza Marixa Lopes Rodrigues, da Comarca de Contagem (MG), negou nesta terça-feira, 20, o pedido de mandado de segurança para Marcos Aparecido dos Santos - conhecido como Bola -, apontando em depoimento como suspeito de executar Eliza Samudio. Com a liminar, Bola teria o direito de não responder aos depoimentos e não seria obrigado a participar de uma possível acareação.

 

Bola está preso e foi apontado pelo primo de Bruno, J., de 17 anos, como o assassino da ex-amante do goleiro. Segundo relatos de testemunhas, o ex-policial civil teria jogado os restos mortais de Eliza a cães da raça rottweiler após esquartejá-la.

 

No dia 14 de julho, peritos recolheram material na casa do ex-policial civil. Foram recolhidos partes de concreto do imóvel, que fica em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte.

 

Foram apreendidos ainda "outros objetos úteis para a investigação", segundo o delegado Edson Moreira, incluindo documentos e um capacete. De acordo com uma das versões, Bola, estaria em uma moto quando se reuniu ao grupo liderado por Bruno, no dia 9 de junho. Foi apreendido também um computador. "Temos de ver o que tem nessa CPU", disse Moreira na época.

 

O envolvimento de Bola com um grupo de extermínio também foi levantado por uma testemunha que prestou depoimento na Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O grupo do qual o suspeito faria parte funcionava dentro do Grupo de Respostas Especiais (GRE), a elite da Polícia Civil de Minas, extinto ano passado.

 

Embora tenha sido excluído da corporação em 1992, Bola desfilava pelas ruas de Esmeraldas com o uniforme do GRE. Dentro do sítio, há bonecos para prática de tiro ao alvo, um contêiner usado como cela e símbolos do grupo de elite por todos os lados.

 

(Com informações de Eduardo Kattah e Tiago Dantas)

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