Juíza nega pedido da defesa para suspensão de ação pela morte de Eliza

Advogados alegam que supostos crimes não teriam ocorrido na cidade de Contagem, mas em Vespasiano, também em MG, na casa do ex-policial Marcos Aparecido, o Bola

Marcelo Portela, especial para O Estado de S. Paulo

02 de agosto de 2010 | 18h12

BELO HORIZONTE - O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) negou pedido da defesa do goleiro Bruno Fernandes das Dores Souza e de outros cinco réus de suspensão imediata da preparação de uma possível ação pelo sequestro e morte da ex-amante do atleta, Eliza Samudio, de 25 anos. No fim de semana, os advogados do jogador entraram com habeas corpus no TJ-MG alegando incompetência da juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal do Júri do Fórum de Contagem, na Grande Belo Horizonte, para analisar o caso.

 

No habeas corpus, os advogados argumentam que os supostos crimes não teriam ocorrido no município, mas sim em Vespasiano, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte. É nesta cidade que fica a casa do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, acusado pela Polícia Civil de ter executado Eliza a mando de Bruno.

 

O desembargador Hélcio Valentim, da 5ª Câmara Criminal do TJ-MG, porém, considerou que o pedido da defesa não continha documentos que comprovem as alegações, já que não continha o registro do imóvel onde o crime teria ocorrido. O desembargador ressaltou ainda que a decretação da prisão do goleiro e de outros sete suspeitos cita que o crime teria ocorrido em Contagem, no sítio de Bruno, no limite com Esmeraldas e Ribeirão das Neves, ambas também na Grande Belo Horizonte.

 

Em sua decisão, Valentim afirmou que "não tenho com fixar, com a certeza necessária, a competência da comarca de Vespasiano para conhecer do procedimento, muito menos para, em sede liminar, decretar a suspensão do andamento dos trabalhos de investigação e preparação da ação penal".

 

O magistrado determinou também que a juíza Marixa Lopes examine "imediatamente" se é dela a competência para atuar no caso. O inquérito policial com o indiciamento de Bruno e outras oito pessoas - sua ex-mulher, Dayanne Aparecida Rodrigues do Carmo; uma namorada do jogador, Fernanda Gomes de Castro; um primo do atleta, Sérgio Rosa Sales; Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; Flávio Caetano de Araújo; e Elenílson Vitor da Silva - foi encaminhado na última sexta-feira à Justiça, que abriu vistas para o Ministério Público dar seu parecer.

 

Além deles, outro primo de Bruno, um adolescente de 17 anos, também é acusado de envolvimento no crime e o MP pediu sua internação por até três anos, mas ainda não há decisão do juiz Elias Charbil Obeid, da Vara da Infância e da Juventude de Contagem. Segundo o TJ-MG, o julgamento do mérito do habeas corpus apresentado no fim ficará a cargo do desembargador Júlio Cezar Guttierrez, da 4ª Câmara Criminal, encarregado de analisar outros pedidos apresentados pela defesa dos acusados.

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