José Patrício/AE
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Juíza nega pedido da defesa para suspensão do julgamento de Bruno

O julgamento começou nesta segunda-feira, no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte

De O Estado de S. Paulo,

04 Março 2013 | 13h01

A juíza Marixa Rodrigues negou o pedido da defesa de suspensão do julgamento do goleiro Bruno e sua ex-mulher Dayanne dos Santos. O ex-goleiro é acusado de mandar matar sua amante, a modelo Eliza Samudio, em junho de 2010, com quem teve um filho. Dayanne é acusada de subtração de incapaz ao cuidar do filho de Bruno com a modelo durante parte do período em que ela teria sido mantida em cativeiro no sítio de Bruno, em Esmeraldas, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O julgamento começou nesta segunda-feira, no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A defesa entrou com recurso suspensivo alegando que a certidão de óbito foi emitida com base nas declarações de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, portanto, sem legitimidade, e que o documento influenciaria a decisão dos jurados.

No entanto, a Marixa afirmou que Macarrão, ex-braço direito e amigo de Bruno, foi condenado a 15 anos de prisão em um processo que já transitou em julgado, indeferindo, portanto, a solicitação da defesa.

Marixa também negou o pedido para que a certidão de óbito de Eliza seja retirada do processo. O primeiro dia de julgamento começou com cerca de 40 minutos de atraso. Cinco mulheres e dois homens vão compor o conselho de sentença, responsável por dar o veredito a Bruno e a Dayanne.

A testemunha mais esperada do julgamento, o primo de Bruno, Jorge Lisboa Rosa, não compareceu ao Fórum de Contagem, informou a juíza Marixa Rodrigues. Em entrevista recente para a Rede Globo – ele atribui a culpa pelo crime a Macarrão, mas disse que seria praticamente impossível Bruno não saber de tudo.

A defesa de Bruno dispensou as testemunhas Célia Aparecida Rosa Sales, que é sua tia, Maria de Fátima dos Santos e Anastácio Martins Barbosa. Já a defesa da Dayanne dispensou Saiver Júnior e manteve o depoimento de Célia Sales. Com isso, das dez testemunhas arroladas, sobraram quatro testemunhas para serem ouvidas.

O julgamento começou em meio a uma nova investigação, do suposto envolvimento de dois policiais no crime. Também é grande a expectativa em relação à divulgação, pela promotoria, das informações obtidas com a quebra do sigilo bancário do goleiro. Esses dados podem confirmar ou desmascarar a versão de Bruno, de que teria dado R$ 30 mil a Eliza Samudio antes que ela fosse embora, espontaneamente segundo ele, em um táxi. Caso seja declarado culpado, o ex-goleiro do Flamengo pode pegar até 41 anos de prisão.

Entenda o caso. Ex-amante do goleiro Bruno Fernandes de Souza, Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010 quando viajou do Rio para o sítio do jogador em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Acompanhada de seu bebê, filho de Bruno, ela fez seu último contato, para uma amiga, por telefone em 9 de junho. Poucos dias depois, a polícia recebeu denúncia de que a jovem estaria morta.

Um primo de Bruno, então com 17 anos, foi apreendido na casa do goleiro, no Rio, após a polícia receber denúncia de que o rapaz havia participado da execução de Eliza. À polícia ele revelou a participação de mais sete suspeitos no crime e disse que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, teria matado a jovem. Seu corpo, no entanto, nunca foi encontrado.

O primo de Bruno foi condenado a três anos de internação pelo sequestro e morte de Eliza. No fim de 2010, a Justiça mineira determinou que Bruno, Macarrão, Bola e Sérgio Rosa Sales fossem julgados por júri popular pelo sequestro e morte de Eliza e que Dayanne, Fernanda, Vítor da Silva e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, respondessem por sequestro e cárcere privado. Macarrão já foi condenado no ano passado.

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