Juíza perde promoção por suspeita de espionar ex-namorado

A juíza Carmen Silvia de Paula Camargo deixou de ser promovida por suspeita de espionar o ex-namorado. Ela é acusada de usar o cargo para grampear o telefone dele por 15 dias. O chamado "golpe da toga", no qual magistrados se valem do poder em benefício próprio, foi descoberto graças à desconfiança da companhia telefônica.Por conta disso, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça suspendeu, por 13 votos a 12, a publicação da lista de juízes que integram a carreira inicial e que seriam promovidos para a intermediária.A nova lista deverá ser preparada pelo Conselho Superior da Magistratura sem o nome da juíza. O processo corre em segredo de Justiça e os nomes dos demais envolvidos no caso não foram revelados. Virou assunto em Cananéia, litoral sul de São Paulo, onde ela era juíza titular. Moradores dizem que a cidade, de 12 mil habitantes, não comenta outra coisa. "O fato é que, depois disso, ficamos sem juiz titular no Fórum", diz um morador, que pediu para não ser identificado.O ex-namorado da juíza não foi localizado. Em Cananéia dizem que ele mora no município vizinho de Pariquera-Açu. Carmen Silvia está envolvida em três sindicâncias na Corregedoria Geral de Justiça, que chegou de surpresa à cidade para investigá-la, além do caso do grampo telefônico.Uma das sindicâncias apura a responsabilidade da juíza num caso que envolve o pai do ex-namorado por porte ilegal de arma. Carmen, em vez de se dar por impedida no caso, condenou o réu e negou a ele o benefício de apelar em liberdade.Na terceira sindicância, a juíza é acusada de indicar advogados de Cananéia para defenderem dois jovens acusados de porte de entorpecentes. Atualmente, Carmen está lotada no Fórum Regional de Santana, na zona norte de São Paulo, onde permanecerá até esta sexta, segundo informação do Tribunal de Justiça.

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