Juíza rejeita transferir júri pela morte de índio

A juíza federal Paula Mantovani rejeitou ontem a primeira estratégia da defesa na abertura do julgamento dos três acusados pelo assassinato do índio Marcos Veron, cacique guarani caiová morto em janeiro de 2003 na cidade de Juti (MS). Os advogados pretendiam anular a realização do júri pela Justiça Federal em São Paulo sob argumento de que a vítima não era índio, portanto a competência para o caso seria da Justiça estadual de Mato Grosso do Sul. A juíza não acolheu o pedido e deu início ao júri, na sede da Justiça Federal em São Paulo.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2011 | 00h00

O julgamento é marcado por muita expectativa. Cerca de 50 índios se deslocaram de ônibus até São Paulo e estão em frente ao prédio da Justiça, próximo à Avenida Paulista. Seis homens e uma mulher foram sorteados para o corpo de jurados. Na acusação o procurador regional da República Luiz Carlos Santos Gonçalves vai pedir pena máxima para os réus, funcionários da Fazenda Brasília Sul.

Na defesa, os advogados Alexandre de Sá Domingues e Josephino Ujacow sustentam negativa de autoria "pela inconsistência de provas". Segundo eles, Veron teria sido morto por um outro índio. Os advogados alegam que Veron, de 72 anos, era um "falso cacique, não era índio e nem brasileiro". "Ele era funcionário público aposentado do Ministério da Agricultura e recebia aposentadoria em uma conta corrente do Banco do Brasil."

O júri prossegue hoje com os depoimentos de sete índios que, segundo a procuradoria, foram torturados e vítimas de tentativa de assassinato.

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