Julgamento da morte de Renné Senna deve acabar nesta quarta

Ex-seguranças do milionário que ganhou na Mega-Sena são julgados; não há data para julgamento da mandante

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo,

08 Julho 2009 | 10h51

O julgamento de dois acusados do assassinato de Renné Senna - que ganhou R$ 51,8 milhões na Mega-Sena - deve terminar nesta quarta-feira, 8, após três dias. Seis pessoas são acusadas pelo crime, mas apenas os ex-seguranças Anderson Silva de Sousa e Ednei Gonçalves Pereira estão sendo julgados.

 

Adriana Ferreira Almeida, viúva do milionário, teria encomendado o crime, que envolve ainda o cabo da Polícia Militar Marco Antônio Vicente, o sargento Ronaldo Amaral de Oliveira e a professora de educação física Janaína Silva de Oliveira, mulher de Anderson, que ainda não têm data prevista para serem julgados.

 

O segundo dia de julgamento de dois homens acusados de terem executado o milionário foi marcado por intenso bate-boca entre o advogado assistente da acusação, Marcos Rangoni, e o advogado Maurício Neville, que defende o ex-PM Anderson Sousa. A sessão chegou a ser interrompida pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa, que repreendeu os advogados.

 

A confusão começou no momento em que Neville insinuou que uma das testemunhas era na verdade o assassino do milionário, que ganhou o prêmio de R$ 51,8 milhões da Mega-Sena, em 2005. Rangoni interveio e lembrou aos jurados que a investigação da polícia apontava Sousa e o funcionário público Ednei Gonçalves Pereira como os executores de Senna. Nesse momento, Neville chamou Rangoni de "otário". O assistente da acusação chegou a se levantar e avançar na direção de Neville, mas foi impedido por Pms.

 

Renata Senna, única filha e herdeira do milionário, disse que a cabeleireira Adriana Almeida, acusada pela promotoria de ter encomendado a morte do marido, não cuidava bem de seu pai. Para Renata, Adriana só estava interessada no dinheiro de Senna. Ela lembrou que Adriana era mais jovem que seu pai, que já tinha tido as pernas amputadas em decorrência da diabetes. Renata acusou ainda a cabeleireira de ter afastado Senna da família.

 

Relembre a cronologia do caso

 

2005

Julho: René Senna, ex-lavrador e ex-açougueiro de Rio Bonito, ganha sozinho o prêmio de R$ 52 milhões da Mega Sena.

 

2006

Janeiro: René, então com 53 anos, se casa com a cabeleireira Adriana Almeida, de 28 anos.

 

2007

 

Janeiro: Adriana paga R$ 300 mil por uma cobertura no Arraial do Cabo (RJ). No documento de compra e venda, diz não ser casada nem ter relacionamento estável.

 

4 de janeiro: O casal briga, e Adriana deixa a fazenda de R$ 9 milhões onde morava com o marido.

 

7 de janeiro: René Senna é morto com quatro tiros de pistola à queima-roupa no Bar do Penco.

 

12 de janeiro: Adriana depõe na delegacia de Rio Bonito. Ela é acusada pela única filha de Renné, Renata, de ser a mandante do crime. A polícia pede quebra do sigilo bancário e telefônico da ex-cabeleireira

 

27 de janeiro: O motorista de van Robson de Oliveira, de 27 anos, diz em depoimento de seis horas que ele e a viúva se conhecem há três anos, já namoraram, reataram em setembro e passaram o réveillon juntos em Arraial do Cabo.

 

29 de janeiro: Adriana admite que mentiu e pede pra refazer declarações à polícia.

 

30 de janeiro: Adriana é presa sob acusação de envolvimento no crime.

 

1º de fevereiro: Dois policiais militares que trabalharam como seguranças de René Senna foram presos, sob suspeita de participação no crime.

 

2 de fevereiro: O ex-policial militar Anderson Silva de Souza, que atuou como segurança do milionário, se entrega para a polícia, é preso e considerado suspeito.

 

5 de fevereiro: Prisão da professora de educação física Janaína da Silva Oliveira, mulher do ex-policial militar Anderson Silva de Souza - apontado como possível executor do assassinato - e amiga da viúva de Senna, Adriana Almeida.

 

6 de fevereiro: O último suspeito, o motorista Edney Gonçalves Pereira, se entrega à polícia e nega participação no crime.

 

8 de fevereiro: Depoimento de Creuza Ferreira Almeida, mãe de Adriana, reforça indícios de que ela tenha ligações com a morte de Renné e do PM Davi Vilhena. Creuza declarou que o ex-PM Anderson da Silva Souza, acusado de ser o autor do crime, tinha ciúmes de Vilhena com o patrão.

 

14 de fevereiro: Justiça nega pedido de habeas-corpus de Adriana. Decisão levou em consideração conversas telefônicas que indicaram que ela tentou atrapalhar as investigações sobre o caso.

 

26 de fevereiro: Polícia do Rio faz a reconstituição do crime, no dia 7 de janeiro, na cidade de Rio Bonito.

 

27 de fevereiro: Juíza prorroga por 30 dias a prisão dos seis envolvidos no caso.

 

21 de março: Calisto Fernandes dos Santos Filho, de 66 anos, tio de Renné Senna, é encontrado morto na carceragem da Polinter, no Rio. Preso por estupro, ele estaria alojado na mesma cela de Anderson Silva de Sousa, ex-PM e ex-segurança de Renné, um dos suspeitos de ter participado do assassinato do milionário. O delegado responsável pelo caso informa que a Delegacia de Homicídios não vai investigar a morte pois não há indícios de que a morte tenha ligação com o assassinato de Renné.

 

26 de março: A polícia conclui o inquérito que investiga a morte e acusa Adriana como mandante do crime.

 

3 de abril: Após a conclusão do inquérito, a juíza Renata Gil da Segunda Vara de Rio Bonito, ouve os seis acusados pela morte de Renné Senna. A defesa de Adriana entrou com pedido de revogação da prisão preventiva no Fórum de Rio Bonito (RJ).

 

6 de junho: A ministra Laurita Vaz, do STJ, negou provisoriamente liminar do terceiro habeas-corpus pedido por Adriana Almeida. De acordo com o STJ, Adriana está presa por suspeita de ser a mandante do crime.

 

3 de agosto: O STJ extinguiu o processo de habeas corpus movido por Adriana, que tinha recorrido da decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que já havia negado sua liberdade.

 

2008

 

28 de junho: Adriana consegue um habeas corpus do STJ com o argumento de que o processo estava atrasado.

 

10 de setembro: Julgamento de Anderson Silva de Souza, Ednei Gonçalves Pereira e Ronaldo Amaral de Oliveira - três dos acusados pelo crime - é adiado pela segunda vez.

 

4 de novembro: A Justiça do Rio determina o desbloqueio dos bens de Senna em favor de sua filha, Renata, que terá direito a cerca de R$ 11 milhões. A parte dos bens que cabe à viúva continua bloqueada, até que o processo judicial seja encerrado.

Mais conteúdo sobre:
crime da Mega-Sena Renné Senna

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.