Julgamento de ex-policial acusado de chacina é suspenso

O juiz João Luciano Sales do Nascimento dissolveu na noite de segunda-feira o conselho de sentença que julgava o ex-policial militar Humberto da Conceição, um dos quatro acusados da execução de três jovens no final do carnaval de 1999, crime que ficou conhecido como Caso da Cavalaria. Na audiência, o promotor Walfredo Cunha Campos mal conseguia expor a tese da acusação, sendo constantemente aparteado pelo advogado da defesa, Celso Machado Vendramini. Por pouco, os dois não chegaram a se agredir durante o júri. "Eles quase chegaram em vias de fato", comentou Nascimento.Antes de tomar a decisão, o juiz ainda suspendeu os trabalhos por dez minutos para que a situação se acalmasse. No retorno, o advogado continuou insistentemente interrompendo o promotor, que não conseguia expor suas razões para pedir a condenação de Humberto da Conceição. "Em oito anos de magistratura, nunca vi uma situação dessas", comentou o juiz João Luciano Sales do Nascimento. "O comportamento do advogado cerceou o exercício da acusação e representou um desrespeito aos jurados e às pessoas que estavam no plenário."Com a dissolução do conselho de sentença, o ex-policial terá novo julgamento, a ser realizado só no ano que vem. Humberto da Conceição já havia sido condenado anteriormente a cumprir pena de 59 anos de prisão, mas o Tribunal de Justiça anulou a sentença e determinou que ele fosse submetido novamente ao júri, que estava sendo realizado na segunda-feira e acabou suspenso.

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