Julgamento de Suzane não pode ser gravado, decide TJ

O julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, marcado para segunda-feira, 5, não será registrado nem em áudio nem em vídeo pela imprensa. Quem não estiver no plenário não terá como ver em detalhes um dos advogados dela, Mauro Otávio Nacif, dizer que a jovem, criada com rigor, perdeu a virgindade aos 15 anos no quarto de Daniel, ganhou a liberdade com ele e ficou "dominada pelo sexo". A proibição de transmissão foi determinação do desembargador Damião Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, a pedido dos advogados da jovem. Foi ele também que, na quinta-feira, por iniciativa própria, pediu à Presidência do TJ que derrubasse, por via administrativa, a decisão pioneira do juiz do caso, Alberto Anderson Filho, de permitir a transmissão ao vivo do júri. O pedido foi aceito pelo vice-presidente, Caio Canguçu de Almeida. Hoje a All TV, emissora que transmite programação pela internet, entrou com um mandado de segurança, com pedido de liminar, contra a decisão de Almeida. Em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo e com a Associação Paulista dos Magistrados, a All TV pretendia exibir o julgamento ao vivo, em tempo integral. "Com efeito, a própria ré do processo, por diversas vezes, apresentou-se publicamente em emissoras abertas, expondo sua imagem e tendo oportunidades diversas de sustentar sua versão ou qualquer outra manifestação que desejasse", ponderou o advogado Paulo Cremonesi, que representa a emissora. "A sociedade, que a tudo assistiu, agora será privada da informação em seu todo?" O recurso deve ser distribuído a um integrante do Órgão Especial, que reúne os 25 desembargadores mais antigos, porque é contra decisão do vice-presidente. A expectativa de Cremonesi é que o pedido seja apreciado no fim de semana. Plenário Cogan negou recurso impetrado hoje pela defesa de Suzane para adiar o julgamento. Segundo Nacif, que defenderá Suzane com o colega Mário Sérgio de Oliveira, o pedido será refeito em plenário. O motivo alegado é que ainda há recursos pendentes da sentença de pronúncia, que a mandou a júri. Se Suzane for julgada na segunda - é provável que o júri seja dividido e os irmãos Cravinhos julgados primeiro -, a defesa vai levantar duas teses: inexigibilidade de conduta diversa (não poderia agir de outra forma) e coação moral irresistível (foi forçada). "Se Suzane não tivesse conhecido Daniel, os pais dela estariam mortos?", questiona Nacif. A pergunta é a chave da estratégia dele. "Quando teve sexo, mudou a vida dela. Vou querer mulheres no júri porque elas vão entender como é importante a questão da perda da virgindade." Segundo o advogado, apesar de ter medo de injeção, a jovem passou a tomar anticoncepcional por injeção, a pedido de Daniel. "Ela criou uma relação de dependência com ele e perdeu a noção do que era certo e errado", argumenta. Nesse contexto, como Daniel teria imposto que ela escolhesse entre ele e os pais, ela acabou consentindo o crime. Perguntado por que a jovem não teria pensado em fugir - se o objetivo era ficar com o namorado -, ele não soube responder. Além disso, a defesa vai dizer que ela fumava maconha "de hora em hora". Estima-se um período de quatro horas para leituras de peças, como interrogatórios, cartas, e-mails e recursos judiciais, apenas para a defesa dela. A Suzane que estará no plenário, garantiu Nacif, será "normal", ao ser lembrado sobre como ela se apresentou no Fantástico. "Aquela não é a Suzane. Pantufas? O que que é isso?"

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.