Júlio César Mesquita representa SIP em prêmio

RIO

Wilson Tosta / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Em nome da Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), o vice-presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Júlio César Mesquita, recebeu ontem o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa, no 8.º Congresso Brasileiro de Jornais.

Foi ele quem leu o discurso de agradecimento do presidente da SIP, Alejandro Aguirre, por meio do qual o presidente da entidade esclareceu declarações que fizera com relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando que suas críticas diziam respeito apenas a alguns aspectos da política externa seguida pelo presidente do Brasil.

No texto lido pelo vice-presidente da ANJ, Aguirre reconheceu que Lula "endossou e assumiu" os princípios da liberdade de expressão incluídos na Constituição do País.

"Recentemente fiz uma crítica ao presidente Lula, depois da reunião do nosso Comitê Executivo em julho passado, em Washington, e que pode ter gerado um entendimento inadequado, se isolado de seu contexto. Sei que o presidente Lula assinou a Declaração de Chapultepec em 2006, e, portanto, endossou e assumiu, assim, os princípios sagrados da liberdade da imprensa incluídos na nossa Carta Magna sobre liberdade de expressão."

Segundo o discurso, sua observação se referia apenas ao contexto de da política externa de Lula, pois algumas de suas atitudes e medidas podem ser interpretadas como estando "em contradição" com sua política interna, tornando-se, por isso, alvo de críticas".

No discurso de Aguirre lido por Mesquita, o presidente da SIP afirmou ainda que o presidente Lula "tem apoiado governos que suprimem ativamente a liberdade de imprensa" e afirmou ter-se referido a "países e presidentes" que também já critica, "em alguns casos, de forma bastante dura".

Disse também que ainda mantém sua posição crítica. "Minhas palavras não tiveram a intenção de diminuir o papel que o presidente desempenha neste próspero país, mas sim criticar algumas das posições que ele assume na esfera internacional", ressaltou.

Censura. Por meio do texto, Aguirre lembrou também que no Brasil ainda há problemas envolvendo a liberdade de imprensa - um deles, a censura judicial ao Estado, proibido pelo Tribunal de Justiça do DF, desde o ano passado, de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da PF, que investigou o empresário Fernando Sarney.

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