Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Jungmann admite desgaste, mas diz que Vitória está 'voltando ao normal'

Após reunião com Temer no Palácio do Jaburu, Ministro da Defesa reconhece "situação de intranquilidade da população"

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2017 | 21h09

BRASÍLIA - Depois de uma reunião com o presidente Michel Temer e três ministros no Palácio do Jaburu, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, reconheceu que a paralisação dos policiais militares no Espírito Santo traz um desgaste para a imagem do País porque, de fato, há uma "situação de intranquilidade da população".

O ministro assegurou, no entanto, que a cidade "está voltando ao normal", que "amanhã (segunda-feira) as escolas voltarão a funcionar" já que a paralisação "está em declínio" e "a ordem e a segurança pública estão de volta".

Mas, ao ser questionado sobre o desgaste, declarou: "evidentemente que, se desgaste existe, tem de ser entendido em um quadro onde as Forças locais tiveram um processo ilegal de paralisação. Nesse quadro, as Forças Armadas foram empregadas e estão obtendo um resultado com o qual tinham se comprometido e a ordem e a segurança estão de volta".

Jungmann reiterou que a paralisação "é ilegal", que as Forças Armadas permanecerão nas ruas "até quando for preciso" e que o governo será "inflexível e absolutamente determinados em não permitir que a desordem e a insegurança venha a imperar".

O ministro da Defesa tentou minimizar ainda a possibilidade de a greve da Polícia Militar do Espírito Santo e a mobilização do Rio de Janeiro provocarem um "efeito cascata". Segundo o Estado apurou, há uma preocupação grande por parte do governo federal com a situação em outros três Estados, principalmente no Pará, onde os ânimos estariam se acirrando.

O ministro, entretanto, disse que a tendência no Pará "é de estabilidade da situação". Para Jungmann "não há informações até aqui de efeito contágio". E emendou: "nós estamos acompanhando situação no Rio, onde 97% do policiamento está nas ruas. Há um protesto, é verdade, mas não tem afetado de forma alguma o funcionamento policial naquele Estado. Fora o Rio de Janeiro, tudo segue normal, não havendo indícios de contágio ou qualquer outra possibilidade de repetição do que aconteceu no Espírito Santo."

O ministro não citou mas, além do Pará, existem movimentações de PMs no Rio Grande do Norte e na Paraíba. "Nós não vamos admitir nem no Espírito Santo e nem em outro lugar desordem e a insegurança. Vamos usar todos os instrumentos necessários para que um quadro como esse não torne a acontecer", avisou.

Rapidez. O ministro Raul Jungmann rebateu ainda acusações de que o governo federal teria demorado a agir e se posicionar em relação ao Espírito Santo. Ele justificou que a primeira ligação do governador do Estado para o presidente da República foi às 7 horas e, cinco horas depois, os primeiros homens do Exército já estavam saindo às ruas e, a partir daí, declarou, não houve mais saques ou arrastões.

"Da parte do presidente Temer e do governo federal não houve nenhum atraso. Pelo contrário. Nós atuamos com a velocidade e a presteza que o caso exigia", desabafou, lembrando que "no Espírito Santo, entramos rapidamente".

No Rio, apesar de os governos federal e estadual dizerem que está tudo sob controle, os dois lados sabem que, a qualquer momento, podem surgir problemas. Por isso mesmo, já há, por parte do Exército, mesmo sem nenhum pedido oficial, uma espécie de sobreaviso para a tropa, para que ela possa ser empregada, de imediato, caso haja necessidade.

Questionado sobre a situação no Rio, o ministro Jungmann informou: "há um planejamento, uma disposição e uma logística para qualquer eventualidade que venha a acontecer, tendo uma solicitação do governo do Estado e uma determinação do presidente da República, para as Forças Armadas serem empregadas. Até aqui, no entanto, o clima no Rio de Janeiro, apesar dos protestos, é de normalidade e de absoluto controle, pelas forças locais de segurança".

Número inflado. Sobre a possibilidade de o número divulgado pelo governo do Espírito Santo de que mais de mil PMs estão nas ruas da Grande Vitória, dando segurança à população, estar inflado, Jungmann respondeu: "se o número está inflado, isso deve ser interrogado ao governo estadual porque quem detém este numero em registro é o governo estadual".

Ele lembrou que, no caso das Forças Armadas, existem 3.130 homens nas ruas do Estado. E emendou: "nós não vamos sair de lá enquanto não esteja assegurado, de forma permanente, a ordem pública e a segurança, o respeito à vida e à propriedade no Espírito Santo".

Questionado sobre a possibilidade de existirem grupos de extermínio agindo no Espírito Santo e que parte deste alto número de mortes seja por conta de acerto de contas entre estes grupos, o ministro Jungmann informou que "há uma disposição firme do governo do Estado em apurar estes crimes", além da criação de um grupo especial de investigação para punir os responsáveis pelas chacinas.

Na reunião com Temer, no Palácio do Jaburu, além de Raul Jungmann, estavam reunidos também os ministros do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, da Secretaria Geral, Moreira Franco, da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, e o interino da Justiça, José Levi Mello do Amaral Júnior. Eles fizeram uma avaliação sobre a crise de segurança pública no Espírito Santo e no resto do País. Ontem, os ministros, exceto Moreira, estiveram em Vitória, onde se encontraram com o governador em exercício do Estado, César Colnago. 

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