Jungmann diz que Justiça autorizou envio de dados à CPI, mas PF não cumpriu

O vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), informou nesta quarta-feira que o juiz de Mato Grosso, Jefferson Scheneider, responsável pelo inquérito do dossiê, autorizou o envio dos dados referentes ao rastreamento dos US$ 109 mil, que foram encontrados com petistas e que seriam usados para a compra do dossiê contra tucanos, mas "a Polícia Federal ainda não encaminhou nada." Jungmann também afirmou que irá junto com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) a Cuiabá nesta quinta-feira a fim de pegar uma cópia do relatório do delegado Diógenes Curado sobre o caso. "É possível que o relatório apresente indícios veementes da origem do dinheiro. Pode até caracterizar uma ação partidária, ou seja, que o PT fez um movimento que é criminoso sob o enfoque eleitoral", disse Sampaio.Depois de ler o inquérito, o deputado tucano confirmou que o dinheiro para o dossiê veio do PT. "Agora, onde o PT foi buscar o dinheiro é que não se tem. E a expectativa é que o delegado Diógenes Curado diga isso em seu relatório", observou Sampaio. Segundo Jungmann, o juiz Scheneider disse que "os criminosos que fizeram o translado e a retirada do dinheiro para a compra dos documentos são profissionais". "É coisa de criminoso, de bandido profissional e competente. Eles fizeram de tudo para evitar o rastreamento, para burlar o Coaf para impedir que fosse detectada a origem do dinheiro", afirmou Jungmann. Ele reclamou ainda da demora da Polícia Federal em enviar à CPI a quebra do sigilo telefônico de Hamilton Lacerda, ex-assessor de campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista. Depoimentos depois do 2º turnoOs integrantes da CPI dos Sanguessugas reclamaram nesta quarta-feira da decisão do presidente da Comissão, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), de marcar os depoimentos dos petistas envolvidos no escândalo do dossiê contra os tucanos para depois do segundo turno das eleições. Biscaia, que tem a prerrogativa de marcar a data dos depoimentos como presidente da CPI, agendou para o dia 31 de outubro, dois dias depois das eleições, a vinda de três petistas à comissão: Gedimar Passos, Valdebran Padilha e Jorge Lorenzetti. "Estranhamente não vamos ter reunião da CPI na semana que vem", disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). "Do ponto de vista político era interessante marcar os depoimentos dos envolvidos com o dossiê o mais rápido possível. Mas do ponto de vista da investigação, creio que não é possível a CPI chegar à frente da Polícia Federal", observou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). "Não sei qual é a razão de não haver depoimentos na próxima semana. Realmente, algumas pessoas poderiam ser ouvidas agora", defendeu o deputado Carlos Sampaio. Na última terça-feira, a CPI dos Sanguessugas aprovou requerimentos de convocação de oito petista envolvidos com a compra de dossiê que serviria para ligar candidatos tucanos à máfia das ambulâncias. A Comissão aprovou ainda o convite para depor de quatro ex-ministros da Saúde: dois do PSDB (José Serra e Barjas Negri), um do PT (Humberto Costa) e um do PMDB (Saraiva Felipe). Todos os depoimentos serão depois das eleições.

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