Ellis Rua/AP
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Ministro oferece PF; Rio nega envio de caso Marielle à esfera federal

Em nota, Gabinete de Intervenção afirma que ‘as investigações já estão sendo conduzidos sob orientação federal’

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 13h24
Atualizado 13 Agosto 2018 | 21h43

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse nesta segunda-feira, 13, que a Polícia Federal já tem uma equipe definida para atuar no caso Marielle Franco, se houver solicitação do Ministério Público ou do Gabinete de Intervenção. O órgão militar, porém, negou na tarde desta segunda que o inquérito relativo ao caso da vereadora do PSOL seja transferido para a esfera federal. 

Delegados e agentes da PF do Rio e de fora do Estado já foram selecionados, de acordo com o ministro. A Polícia Federal, disse Jungmann, está “pronta” para entrar na apuração, “na eventualidade” de ser requisitada.

Investigado pela Delegacia de Homicídios do Rio, o crime – que teve como vítimas a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, – faz cinco meses hoje. Jungmann ainda declarou nesta segunda que a elucidação do crime é uma “questão de honra” para o presidente Michel Temer.

O Gabinete de Intervenção divulgou nota oficial, dizendo que “as investigações já estão sendo conduzidos sob orientação federal, por intermédio da intervenção”. Afirmou ainda no texto que “a integração dos órgãos de segurança pública do Estado com a PF já está consolidada, particularmente na área de inteligência”. 

O gabinete também declarou que os militares têm “plena confiança” na Delegacia de Homicídios. A intervenção federal na segurança pública fluminense começou em fevereiro, logo após o carnaval, e tem previsão de ser mantida até 31 de dezembro deste ano. 

Já a Secretaria de Segurança Pública do Rio, também procurada nesta segunda pelo Estado, respondeu que “não vai divulgar informações sobre a investigação, que está sob sigilo”. 

“A PF é uma das melhores polícias investigativas do mundo, com recursos tecnológicos, humanos e orçamentários para sustentar qualquer investigação que se faça necessária. Consultei o presidente Temer sobre a oferta, e ele concordou que deveríamos fazê-la”, afirmou Raul Jungmann. “Não é que se queira isso (que a PF tome a frente do caso). É assumir uma responsabilidade enorme. Estamos dispostos a compartilhar essa responsabilidade, se quiserem”, afirmou. 

Envolvimento de políticos. O ministro ainda voltou a afirmar que a dificuldade para chegar aos mandantes e executores do crime se deve à “participação de agentes públicos e de políticos, que formam uma rede poderosa de influência nos seus mais diversos níveis” – “a essa altura, me parece algo óbvio”, declarou. Para o ministro, houve “imbricação entre o crime organizado e o aparelho do Estado, em todos os níveis”.

Uma das linhas de investigação envolve três deputados estaduais do MDB atualmente presos pela Lava Jato no Rio, segundo informou a revista Veja na semana passada. São eles: Jorge Picciani (ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, em prisão domiciliar), Paulo Melo e Edson Albertassi. 

Outra tese aponta para o envolvimento do vereador Marcello Siciliano (PHS), segundo indicação de uma testemunha ouvida pela polícia. Todos os parlamentares negam qualquer ligação com o assassinato.

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