Jurerê Internacional, o novo point dos paulistanos endinheirados

Com clubes de luxo e mansões, praia catarinense terá festas de réveillon que chegam a custar R$ 1.300 por pessoa

O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

Jurerê Internacional não é a praia mais bonita de Florianópolis. Nem a maior em extensão. Muito menos tem as ondas que deram fama às praias da Joaquina e Mole, no leste da ilha. Localizada na parte norte da cidade, a 20 minutos de carro do centro, fica entre a saturada Canasvieiras, com suas lojas de bóias infantis e argentinos em profusão, e a pacata Daniela, de águas paradas. Mas não há, neste verão, praia mais badalada no litoral catarinense.Endinheirados paulistanos já descobriram que o glamour anda por lá. A notícia de que a milionária Paris Hilton passaria o réveillon em Jurerê Internacional até agora não se confirmou, mas não é difícil encontrar uma de suas sósias tomando sol em alguma esteira dos clubes de praia, como Taikô e El Divino Beach, que têm feito a fama do lugar. A praia, que um dia já foi familiar e na década passada foi dominada pelos donos das sofisticadas mansões em estilo americano à beira-mar, tem recebido pesado investimento em lazer de luxo. De frente para o mar azul, os dois lounges, com espreguiçadeiras, almofadas, comida refinada, decoração em estilo polinésio e música suave ao fundo, já são pontos de referência e de encontro na orla. E, aos poucos, dão à praia traços que lembram muito o estilo badalado de Maresias e Juqueí, no litoral norte paulista.Mas, alto lá. "As praias de Florianópolis dão um banho nas do litoral paulista", sentencia o administrador paulistano André Rodrigues de Oliveira, de 26 anos, que prefere Jurerê Internacional às "matrizes" de seu Estado, "por causa do clima e da água do mar". "Logo de cara, quando se chega ao El Divino Beach, a gente sabe que não está numa praia comum. O próprio bar é um desbunde, os colchões ali ao redor... Meu Deus! Nem parece que estamos no Brasil, tanto que é o point dos milionários. E esse público é muito exigente", diz.No Taikô, do qual o jogador de pólo Ricardo Mansur é sócio, uma garrafa de champanhe chega a ser vendida na beira da praia por R$ 1.100. Até sexta-feira, ainda era possível comprar convites para a festa de réveillon do clube - R$ 750 o feminino e R$ 1.300 o masculino, com direito a champanhe Veuve Clicquot, vodca Absolut e risotos. No El Divino Beach, os primeiros 600 ingressos para o réveillon promovido pelo tenista Gustavo Kuerten foram postos à venda por R$ 200, para mulheres, e R$ 300, para homens.A poucos quilômetros de Jurerê, no caminho para a também high society Praia Brava, foi inaugurada na quarta-feira a balada Posh, que tem sushi bar comandado pela temakeria paulistana Yoi Rolls & Temaki. As noites mais badaladas, no entanto, devem acontecer no Praia Cafe de la Musique, filial hippie-chique da casa paulistana em Jurerê. Na ilha, corre o boato de que algumas pessoas pagaram até R$ 20 mil para conseguir um convite vip para a virada de ano.Festas fechadas também não param de ser anunciadas no balneário. Algumas têm até assessoria de Imprensa. Diz um comunicado: "O casal Róger Rodrigues e Fernanda Motta, apresentadora do Brazil?s Next Top Model, do canal Sony, vão armar uma festa para 150 amigos na casa deles na praia de Jurerê Internacional, na sexta-feira, 28 de dezembro, a partir das 17 horas. A festa terá buffet e decoração assinados por Tina Bauer e será regada a champagne Moët & Chandon Be Fabulous Jeroboam e vodka Belvedere Magnum. Promete ser uma das mais badaladas da temporada, já que muitos dos seus amigos e modelos que moram em NYC (New York City) já confirmaram presença."AUDÁCIA IMOBILIÁRIAFoi um audacioso plano de habitação nos anos 50 que transformou a praia de Jurerê no que ela é hoje. Atualmente, é dividida em duas porções - no canto esquerdo está o loteamento residencial Jurerê Internacional. Totalmente planejado, tem parques, supermercados, bares, restaurantes requintados e amplos estacionamentos. E há também uma marina, onde o megatraficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía ancorava seus barcos de luxo.As casas, sem portões nem muros, caíram no gosto dos estrangeiros. Já na década de 90, mansões eram alugadas por famílias argentinas por R$ 1.800 a diária. Neste ano, algumas casas na Avenida dos Búzios, a principal, chegaram a ser alugadas por até R$ 3 mil a diária. No canto direito, está Jurerê Tradicional - a parte "manezinha" da praia, onde ainda remanescem casas mais simples. "Jurerê é minha praia preferida, mas gostava mais como era antes de ficar essa coisa ?chiques e famosos?", diz a administradora Patrícia Jucá, de 23 anos, nascida na cidade. "Além de os preços ficarem inflacionados, parece que está todo mundo numa vitrine. O pessoal se arruma, vai numa beca", conta Patrícia, que garante nem reparar nos famosos que às vezes dividem a faixa de areia com ela. "Eu gosto da paulistada. Mas, às vezes, parece que todo mundo fica andando na ponta do pés na praia e esquece de se divertir." COLABOROU MARIANA FARACO

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