Júri absolve PM e mãe diz que promotor foi advogado de defesa

Monteiro chama estudantes de pitbulls e bêbados e afirma que ela não aceitou erro do filho

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

09 Outubro 2008 | 00h00

O policial militar Marcos Pereira do Carmo, que confessou ter matado o estudante Daniel Duque, de 18 anos, na madrugada de 28 de junho, foi absolvido por unanimidade, na madrugada de ontem, pelo 3º Tribunal do Júri do Rio. Os advogados da família da vítima vão pedir a anulação do julgamento. "Apesar de a defesa e a promotoria defenderem a tese de legítima defesa, o júri absolveu por considerar que o disparo foi acidental, quando Daniel tentou tirar a arma do PM", afirmou o advogado Wagner Magalhães. "Esta decisão é contrária às provas, pois a vítima foi baleada pelas costas, quando se levantava para correr, conforme apontam todos os laudos", disse o advogado. Duque foi baleado na porta da boate Baronetti, em Ipanema, zona sul do Rio, após ele e os amigos se envolverem em uma briga com um amigo de Pedro Velasco, filho da promotora do Ministério Público Marcia Velasco, cuja segurança era feita pelo PM. "Foi um circo armado pelo corporativismo do Ministério Público. O promotor agiu como defesa", disse a mãe da vítima, Daniela Duque, que protestou durante o julgamento e acabou sendo expulsa do plenário (veja mais informações nesta página). ERRO O promotor do Ministério Público Marcelo Monteiro rebateu ontem as acusações. "Quem absolveu o policial não fui eu, mas os sete jurados e por unanimidade. É compreensível que uma mãe não aceite que o filho errou nessas circunstâncias", afirmou Monteiro. Ele diz que os autos não contam a versão apresentada pelos amigos e testemunhas de acusação que, segundo ele, caíram em contradições. "As três moças que teriam presenciado o crime deram três posições diferentes para Daniel. A jovem apontada pela amiga como a pessoa que ajudou a vítima a levantar disse que estava distante", exemplificou. Durante o julgamento, o promotor chamou os amigos de Daniel de "um bando de pitbulls desaforados". "Como provam os autos, o PM estava cercado por pelo menos três lutadores de artes marciais embriagados, incluindo Daniel. O policial se identificou, deu dois disparos de advertência para o alto e mesmo assim a vítima tentou tirar a arma dele", declarou Monteiro. BÊBADOS Apesar de o júri ter aceito a tese de tiro acidental, o promotor afirma que mesmo se o disparo fosse voluntário pediria a absolvição. "Se alguém souber qual a outra atitude que o PM deveria tomar para não ser espancado deve dizer", desafiou Monteiro. Segundo ele, os amigos perceberam que a vítima foi baleada na axila apenas no hospital, "porque estavam tão bêbados que expulsaram aos socos o médico que tentou socorrer Daniel no local".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.