Júri absolve quatro tenentes e dois sargentos no caso Carajás

O Tribunal do Júri do Pará absolveu, por maioria de votos, os quatro tenentes e dois sargentos julgados por participação no confronto entre policiais e sem-terra, que terminou com a morte de 19 trabalhadores, em 17 de abril de 1996, em Eldorado do Carajás, PA. Os sete jurados acataram a "tese negativa de autoria" - a de que eles não eram responsáveis pelas mortes e de que ali estavam apenas "cumprindo seu dever legal". A sentença foi lida por volta das 19h40, depois de mais de oito horas de debates.A sessão foi marcada por ásperos debates e trocas de acusações entre os advogados da defesa, comandados pelo mineiro Ercio Quaresma Filho, e os procuradores, entre os quais o representante do Ministério da Justiça, Marcos Pinto Gama, e a subprocuradora-geral da República, Maria Eliane Menezes Farias.Dirigindo-se ao júri, o advogado de defesa acusou os integrantes da acusação, especialmente os enviados de Brasília, de terem ido até Belém "especialmente para pressionar os jurados". Chamou os acusadores de "lacaios dos direitos humanos, a serviço do governo Fernando Henrique". Referindo-se ao presidente da República, chamou-o de "o bandido maior da República", dizendo que os procuradores lá estavam "atendendo ao apelo da comunidade internacional" e os jurados "não deveriam se sensibilizar" com isso. No dia 10 deve começar o julgamento de 129 soldados envolvidos no confronto.

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