Júri de família acusada de assassinar alemã em Pernambuco é adiado

Advogado de defesa apresentou um atestado que contesta sanidade mental de uma das acusadas

Priscila Trindade, Central de Notícias

24 de maio de 2011 | 12h19

SÃO PAULO - A Justiça de Pernambuco adiou o julgamento dos quatro acusados de assassinar a alemã Jennifer Marion Nadja Kloker. Ela foi morta na noite do dia 16 de fevereiro de 2010, na altura do km 97, da BR-408, no município de São Lourenço da Mata, em Pernambuco.

O júri dos réus teve início por volta das 10 horas desta terça-feira, 24, no Fórum de São Lourenço, mas foi interrompido pelo advogado de defesa de um dos réus. O juiz da Vara Criminal da Comarca, Djaci Salustiano, decidiu adiar o julgamento após a defesa de Delma Freire de Medeiros apresentar um atestado italiano que contesta a sanidade mental da acusada. O juiz pediu que a acusada seja levada ao Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico onde será submetida a um exame de sanidade mental.

Além de Delma, são acusados do crime Pablo Richardson Tonelli, Ferdinando Tonelli, e Alexsandro Neves dos Santos. O quinto réu, Dinarte Dantas de Medeiros, recorreu da pronúncia e aguarda decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE).

O Ministério Público de Pernambuco havia convocado duas testemunhas: os dois delegados responsáveis pelo inquérito policial, Alfredo Jorge e Gleide Ângelo, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). O julgamento foi remarcado para os dias 27 e 28 de julho.

Crime. Jennifer, de 22 anos, foi morta a tiros no dia 16 de fevereiro, no município de São Lourenço da Mata, região metropolitana de Recife. Os cinco acusados pelo crime respondem por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, motivo fútil e pela vítima não ter tido chance de defesa.

Quando a denúncia do Ministério Público foi aceita, em abril do ano passado, o juiz também decretou a prisão preventiva de quatro acusados: o viúvo de Jennifer, Pablo Tonelli, o pai adotivo de Pablo, Ferdinando Tonelli, a sogra, Delma Freire de Medeiros - apontada como mentora do crime - e Alexsandro Nunes dos Santos, contratado para matar. Apenas Dinarte de Medeiros, irmão de Delma, responde ao processo em liberdade. Ele seria responsável pela compra da arma e intermediação do negocio entre Delma e Alexsandro.

Única a não confessar o crime, Delma se denunciou, de acordo com o delegado responsável pelo caso, Alfredo Jorge, ao escrever um bilhete para o filho - quando ela ainda estava detida - em que o orienta, entre outras coisas, a declarar sua inocência, a não falar sem a presença de um advogado e dizer que não tinha contato com o tio Dinarte de Medeiros. Ela pedia que Pablo rasgasse o bilhete depois de ler. Ele o entregou à polícia.

Alemã naturalizada italiana, Jennifer estava no carro alugado pela família na noite do dia 16 de fevereiro, junto com Pablo, Ferdinando, Delma e seu filho. Delma e os Tonelli disseram à polícia terem sido vítimas de latrocínio (assalto seguido de morte). O corpo da alemã foi encontrado no dia seguinte, no km 97 da BR-408, em São Lourenço da Mata, atingido por três balas calibre 38. Com o desenrolar das investigações, a polícia descobriu que Jennifer tinha feito um seguro de vida que beneficiaria Ferdinando e concluiu que a morte foi tramada pela família.

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