Júri de Suzane não será transmitido na íntegra

Dificilmente o julgamento de Suzane von Richthofen, marcado para a próxima segunda feira, no 1º Tribunal do Júri da capital, terá transmissão ao vivo. A três dias de seu julgamento, Suzane quer impedir que o júri seja transmitido pelas emissoras de TV e rádio, como havia autorizado o juiz do caso, Alberto Anderson Filho, em decisão inédita no Brasil. A defesa entrou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça nesta quinta-feira, 1º. O pedido de liminar será decidido pelo desembargador Damião Cogan, que deve atendê-lo, ao menos, em partes. O vice-presidente do TJ, Caio Eduardo Cangussu de Almeida, decidiu nesta quinta que somente o começo e o fim do julgamento poderão ser veiculados ao vivo - a abertura do júri, com a entrada dos réus e escolha dos jurados, e a leitura da sentença. Cogan negou liminar requerida em habeas-corpus pelos defensores de Suzane que pretendiam eliminar do processo crime a gravação de entrevista que Suzane concedeu à Rede Globo, na qual tentou passar a imagem de menina ingênua e desamparada.PolêmicaA possibilidade de o júri ser transmitido ao vivo provocou polêmica entre juristas e advogados criminalistas. Parte deles alega que o júri é público e não há por que vetar o acesso das câmeras. Mas há quem tema que o excesso de exposição possa atrapalhar o direito de defesa, motivo pelo qual o próprio júri público foi instituído. A maioria dos leitores do Portal Estadão é a favor da exibição do júri. Durante a manhã e a tarde desta quinta-feira, a enquete realizada pelo Portal recebeu 1940 respostas para a pergunta "Você concorda com a transmissão do julgamento?". Dos participantes, 72,47% (1406) responderam afirmativamente à pergunta. Restrição à imprensaÀ tarde, os advogados de Suzane e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos foram ao gabinete do juiz Anderson pedir que os jornalistas não assistam ao júri. O pedido foi negado. Trinta repórteres credenciados pelo Tribunal de Justiça estão autorizados a acompanhar da platéia todo o julgamento. Também durante a tarde, o TJ divulgou a lista das pessoas que foram sorteadas para acompanhar o julgamento, no Fórum Ministro Mário Guimarães, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Os sorteados deverão retirar suas senhas a partir do meio-dia da segunda-feira, data de início do julgamento, nas salas 2038 e 2039 do Fórum Criminal, de acordo com informações do Tribunal de Justiça. Júri não será adiadoO ministro Nilson Naves, da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, negou na tarde desta quinta-feira, 1º, o pedido formulado pela defesa de Suzane para adiar a realização do júri. A defesa alegava no pedido que a "pronúncia não transitou em julgado".Segundo informações do STJ, ao decidir o pedido, o ministro ressaltou que "o requerimento no sentido de se adiar o júri haveria de ter sido submetido, primeiramente, à jurisdição de origem". Prisão domiciliarOs irmãos Daniel e Christian Cravinhos foram transferidos na manhã desta quinta-feira, 1º, da Penitenciária João Batista de Arruda Sampaio, em Itirapina, no interior de São Paulo, para o Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros, na capital, onde aguardarão o início do julgamento.Suzane aguarda o início do julgamento em prisão domiciliar, em São Paulo. Ela está na casa de seu tutor Denivaldo Barni. Na terça-feira, 30, a defesa dos Cravinhos pediu a extensão do direito aos dois réus, mas o pedido foi negado. Suzane, seu então namorado Daniel e o irmão dele, Christian Cravinhos, confessaram terem matado o casal Marisia e Manfred von Richthofen, a pauladas, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002. Os acusados responderão por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, com a utilização de meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.

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