Júri popular condena assassinos de índio no RS

Dois dos três jovens que mataram o índio caingangue Leopoldo Crespo a chutes e pedradas no início deste ano foram condenados por homicídio duplamente qualificado por júri popular, nesta quinta-feira à noite, em Tenente Portela, no noroeste do Rio Grande do Sul. O juiz Sebastião Rosa Marinho proferiu a sentença às 20h15, depois de 11 horas de julgamento. Almiro Borges de Souza, de 19 anos, ficará preso por 11 anos e cinco meses, e Roberto Carlos Moraski, também de 19 anos, por 14 anos e oito meses. Eles foram recolhidos à Penitenciária Estadual de Três Passos e cumprirão as penas em regime fechado. O terceiro participante do crime, um menor, de 14 anos, está internado na Fundação de Atendimento Socioeducativo de Santo Ângelo. Levados por ônibus cedidos pela prefeitura de Redentora, os índios da reserva de Guarita, onde Crespo morava, assistiram o julgamento, realizado no Clube Comercial de Tenente Portela. No dia 6 de janeiro, Crespo, de 77 anos, foi a Miraguaí para receber sua aposentadoria. Como não conseguiu transporte para voltar à reserva no mesmo dia, dormiu na calçada da principal avenida da cidade. Os três jovens acordaram o índio com chutes e jogaram sobre ele um pedaço de concreto, que provocou traumatismo craniano. Eles confessaram o crime no dia seguinte, relatando que estavam brincando e pretendiam apenas assustar Crespo.

Agencia Estado,

27 Junho 2003 | 00h08

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