Justiça aceita ação que pede retirada de tropa da Providência

A previsão é de que uma decisão sobre a permanência do Exército na favela seja divulgada ainda nesta quarta

18 de junho de 2008 | 17h25

A ação civil pública, proposta pela Defensoria Pública da União, pedindo a retirada das tropas do Exército do Morro da Providência já foi distribuída na Justiça Federal. O pedido está sendo analisado pela juíza Regina Coeli Medeiros de Carvalho Peixoto, da 18ª Vara Federal. A previsão é que ela decida sobre o caso ainda nesta quarta-feira, 18. Veja também:Jobim descarta saída imediata do Exército de morroDefensor quer que Forças Armadas deixem favela Militares culpam tenente por mortes no Rio Opine: o Exército pode cuidar da segurança pública?   Mais cedo, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou  convite para que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, compareça à comissão para explicar a morte de três jovens do Morro da Providência, no centro do Rio. Eles foram entregues por uma patrulha do Exército a traficantes rivais do Morro da Mineira. O requerimento foi aprovado por unanimidade pelos integrantes da comissão. Ainda não foi marcada a data para o depoimento de Jobim.  No sábado, três jovens da Providência desapareceram e seus corpos só foram encontrados no dia seguinte, em um lixão em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo o delegado da 4ª Delegacia de Polícia (DP), Ricardo Dominguez, os jovens teriam desacatado os soldados que, como punição, os entregaram à facção rival. Os 11 militares suspeitos estão presos no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte da capital fluminense. Nesta quarta, moradores da comunidade fizeram um boneco judas vestido com uma blusa camuflada e um par de coturnos, representando o Exército, e penduraram em uma casa. Mais cedo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que esteve na última terça-feira, 17, no Rio de Janeiro, disse que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a participação de militares na morte de três jovens, no Rio, e descartou a saída imediata do Exército do Morro da Providência. Jobim disse que o governo ainda vai definir a forma como o Exército vai continuar no Morro da Providência.  Nelson Jobim disse que voltará ao Rio na segunda-feira, com Lula e até lá os dois vão discutir a melhor forma de atuação do Exército no local. "A possibilidade de o Exército sair (do morro) não existe", disse o ministro.  Lula voltou a fazer críticas sobre a atuação dos militares no Morro da Providência, mas admitiu que não pretente retirar as tropas do local. "O Estado tem que fazer reparação às famílias e dar continuidade às obras, porque as obras são para melhorar as condições de vida das pessoas", afirmou, referindo-se ao projeto Cimento Social, do senador Marcelo Crivella (PRB) e candidato à Prefeitura do Rio, em parceria com o Ministério das Cidades e o Exército. Os três jovens foram abordados por militares no Morro da Providência, no fim de semana, e seus corpos foram encontrados no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.  Onze militares estão detidos por ligação com as mortes e parte deles admitiu à polícia ter levado os jovens às mãos de traficantes do Morro da Mineira, de uma facção rival à que controla o Morro da Providência. Segundo um oficial, houve desacato à autoridade por parte dos jovens, que foram deixados na outra favela para um "corretivo". "Não é possível que três jovens inocentes sejam mortos dessa forma", disse Lula, após cerimônia de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil.  O presidente disse que as obras no Morro da Providência vão continuar, porque elas darão condições de melhoria à população. Segundo o presidente, se necessário, o Exército sairá do Morro da Providência. "Mas isso vamos discutir com calma, para não tomar nenhuma atitude precipitada. Não é por causa de um erro gravíssimo, abominável que a gente tem de tomar medidas precipitadas", afirmou. Lula afirmou ainda que a retirada dos militares da Providência, como vem sendo reivindicada pelo moradores, seria avaliada. "Não é por causa de um erro gravíssimo que a gente vai ter que tomar medidas precipitadas", afirmou o presidente, acrescentando que vai conversar com os ministros da Defesa, Nelson Jobim, que esteve no Rio, e com o das Cidades, Marcio Fortes. O presidente disse que também vai procurar falar com o governador Sérgio Cabral (PMDB), que estava na Alemanha. (Com Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo, e Reuters)

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