Justiça autoriza mutirão para obras já iniciadas

Moradores do Morro da Providência e empreiteira vão poder terminar os trabalhos em casas destelhadas; seis empresas já doaram R$ 75 mil

Pedro Dantas e Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 00h00

O juiz Fábio Uchôa, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), autorizou ontem que os moradores do Morro da Providência façam um mutirão, em parceria com a Construtora Edil - que venceu a licitação feita pelo Comando Militar do Leste para execução do Projeto Cimento Social -, para concluir a reforma em 32 casas que estão inabitadas por falta de telhados. Seis empresas privadas já doaram R$ 75 mil para um fundo solidário criado ontem pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS). Saiba os próximos passos da investigação do casoSegundo a Assessoria de Imprensa do TRE-RJ, o embargo ao projeto de reformar mais de 700 casas, considerado de "cunho eleitoral", continua. Segundo decisão do juiz tomada anteontem, a obra beneficia o senador e pré-candidato a prefeito Marcelo Crivella (PRB). Caso seja comprovado que o projeto é de interesse da comunidade, ele poderá ser retomado, após as eleições de outubro. A decisão de liberar a reforma foi tomada depois de reunião do juiz com a presidente da Associação de Moradores do Morro da Providência, Vera Melo. Ontem, ao mesmo tempo em que o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) anunciava que concluiria as obras mediante acordo com o Ministério das Cidades, a prefeitura entrava na Providência com técnicos da Secretaria Municipal de Assistência Social para socorrer famílias que ficaram sem moradia, por causa da interrupção das obras. O Exército saiu da favela, dez dias após 11 militares entregarem 3 jovens na mão de traficantes do Morro da Mineira. Eles foram torturados e executados."Não vou discutir a continuidade das obras, porque é uma questão política. Tenho o dever constitucional de socorrer famílias em risco. Para não desrespeitar o TRE (Tribunal Regional Eleitoral), faremos tudo fora da esfera institucional, com o mutirão de moradores e doações da iniciativa privada", disse o secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, ao se referir à proibição de doações de agentes públicos em ano de eleição.Garcia prometeu que a prefeitura vai acomodar em hotéis os moradores das 16 casas destelhadas. Ele estimou em R$ 5 mil o custo para colocar as telhas. Entre as casas sem telhado, está a do aposentado Alberico Mesquita, de 67 anos. "Não tenho dinheiro para ?levantar?. Estou sem água, uso o banheiro de serviço e a cozinha está cheia de escombros. Tenho esperança de que a obra seja retomada."DEMISSÃOJá os empregados da obra temem uma demissão em massa. "A empreiteira nos proibiu de fazer o mutirão. Que casse a candidatura do Crivella, mas deixe a obra continuar. Não queremos política, queremos trabalho", disse o encarregado de obras Alex dos Santos, de 32 anos.

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