Justiça autoriza que moradores retomem obras na Providência

Mutirão poderá ser feito em parceria com construtora; obra havia sido considerada de caráter eleitoreiro

Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo,

25 de junho de 2008 | 22h26

Os moradores do Morro da Providência vão poder fazer um mutirão e retomar as obras no local. A decisão foi tomada pelo juiz Fábio Uchôa do Tribunal Regional Eleitora do Rio na noite desta quarta-feira, 25. O mutirão poderá ser feito em parceria com a Construtora Edil - que venceu a licitação feita pelo Comando Militar do Leste para execução do Projeto Cimento Social - para concluir a reforma em 32 casas que estão inabitadas por falta de emboço e telhados.  Veja também:Prefeitura e Estado disputam conclusão de obras na ProvidênciaRio organizará mutirão para concluir obras em morroPolícia diz ter identificado assassinos dos jovens da ProvidênciaCom obras embargadas, Exército deixa Morro da ProvidênciaJustiça Eleitoral embarga obras no Morro da ProvidênciaCrivela lamenta 'contaminação política' de obras na ProvidênciaOpine: o Exército pode cuidar da segurança pública?  O embargo ao projeto de reformar mais de 700 casas, considerado de "cunho eleitoral" continua, segundo a assessoria de imprensa do TRE-RJ. De acordo com a decisão do juiz, tomada na terça, a obra beneficia o senador e pré-candidato do Rio Marcelo Crivella (PRB), em detrimento dos demais interessados no pleito de 2008. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do TSE, caso seja comprovado que o projeto é de interesse da comunidade ele pode ser retomado, após as Eleições. A decisão de liberar a reforma das 32 casas foi tomada depois de reunião do juiz com a presidente da Associação de Moradores do Morro da Providência, Vera Melo. Pela manhã, o presidente do TRE-RJ, desembargador Roberto Wider, já havia defendido uma solução para o caso que beneficiasse os moradores. Exército A família do tenente Vinicius Ghidetti, um dos acusados do assassinato de três jovens moradores do Morro da Providência entregues a traficantes rivais do Morro da Mineira, está escondida em um hotel e poderá deixar a cidade. Segundo a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio, Margarida Pressburguer, a mulher do tenente, identificada apenas como Aline, teme pela sua vida e pela do filho de dois meses do casal. Margarida se reuniu nesta quarta com os advogados do tenente, que informaram que Aline teria recebido telefonemas com ameaças. "Ninguém sabe de que lado partiram esses telefonemas (traficantes, militares ou parentes dos mortos), mas ela está muito assustada", disse a presidente da comissão. Na semana passada, Margarida já havia se reunido com o pai do soldado José Ricardo Rodrigues de Araújo, também acusado de participar do crime. O pai, que não teve seu nome divulgado, contou que uma pessoa bateu na porta de sua casa com jornais que mostravam o nome do soldado divulgado e perguntando se era seu filho. O pai do soldado mora com a mulher, outros filhos pequenos, a irmã e seus sobrinhos numa favela próxima ao Morro da Mineira. Segundo Margarida, a comissão vai notificar a Secretaria de Segurança Pública sobre as ameaças sofridas. Texto ampliado às 22h34 para acréscimo de informações.

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