Justiça autoriza transferência de Bruno e Macarrão para Minas Gerais

Goleiro e amigo estavam em Bangu; tranquilidade do atleta em sua 1ª noite preso impressionou

Pedro Dantas e Gabriela Moreira, de O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2010 | 18h28

 

RIO - A Justiça autorizou a transferência do goleiro Bruno Fernandes e seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, para Minas Gerais. Os dois estavam no presídio Bangu 2, no Complexo Penitenciário de Gericinó, zona oeste do Rio, desde o início da tarde desta quinta-feira, 8. Eles devem ser conduzidos ainda hoje para a Delegacia de Homicídios de Contagem, que investiga o desaparecimento de Eliza Samudio, e, depois, para uma carceragem da Polícia Civil ou casa de custódia.

 

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especialCronologia do caso

 

O goleiro do Flamengo e Macarrão passaram a noite na carceragem da Divisão de Homicídios da capital fluminense, na Barra da Tijuca, zona oeste. A tranquilidade no rosto de Bruno após a prisão, sob a acusação de ter mandado matar sua ex-amante, impressionou a todos que estiveram com o goleiro em suas primeiras horas preso.

 

Durante cerca de cinco horas, entre a chegada do goleiro à Divisão de Homicídio e o momento em que foi recolhido à carceragem, onde dormiu sobre o chão, sozinho, numa cela de cerca de 8 metros quadrados, Bruno pouco falou. "A impressão que eu tive é que ele não tem a menor noção do que é uma acusação por homicídio. Ele está aéreo, abobalhado, como se não tivesse percebendo o que o espera ou, então, não está acreditando que ficará preso", disse um policial da DH.

 

Acostumado aos flashes da imprensa, o ex-capitão do Flamengo não se mostrou abalado com a repercussão do caso. "É assim mesmo". Calado, mas demonstrando "incrível tranquilidade", Bruno só mostrou interesse quando o policial lhe informou qual costuma ser a pena aplicada a condenados por homicídio. "O quê, isso tudo?", espantou-se Bruno ao ouvir que um homicida pode ser condenado até 30 anos de cadeia.

O jogador pediu mais detalhes e o policial deu como exemplo o caso de um ex-PM que, no ano passado, foi condenado a 18 anos de prisão, pela morte de um famoso vencedor da Mega-Sena, no interior do Rio. O caso de grande repercussão, foi lembrado por Bruno: "Mas qual foi a pena dele? Dezoito anos?", insistiu o goleiro na pergunta que foi respondida pelo seu advogado até aquele momento, Michel Assef: "Mas depois da condenação, existe a progressão de regime e a pena cai bastante", explicou o advogado, mais uma vez interrompido pela curiosidade de Bruno: "E este ex-PM pode ser solto quando?" Ao ouvir do policial que o ex-PM poderia ter de cumprir pelo menos 6 anos, Bruno abaixou a cabeça.

O assunto na sala mudou para o futebol. Bruno fez as contas e falou na Copa de 2014. "Eu tinha chances de ser convocado na próxima... estava com o contrato do Milan nas mãos. Que chance eu vou perder", lamentou Bruno, completando: "Mas eu não tenho nada a ver com esta morte. Isso vai ser provado".

 

Na mesma sala, o amigo do goleiro Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, ouvia a conversa. "Eu também tive minha chance de ser jogador. Cheguei a jogar pelo Goiás, mas tive problemas no joelho e encerrei minha carreira", disse.

 

Ao ser perguntado sobre como conheceu o jogador, o acusado de ser o executor da morte de Eliza mudou o assunto: "Quem cuida da vida do Bruno sou eu. Compro carro, faço supermercado... A única preocupação dele é jogar futebol", disse Macarrão, que na visão do policial que acompanhou os dois é "parece muito mais atrevido" do que o jogador. "O Bruno parece tem um comportamento muito mais infantil", disse.

 

Por volta das 23h30, quando o jogador soube da chegada à delegacia do menor J. de 17 anos, testemunha chave do caso até agora, disse: " Ele não é meu primo de sangue. É de consideração", afirmou aos policiais, que conversavam sobre as prisões ocorridas em Minas. Neste momento, Bruno também demonstrou interesse: "Quem foi preso lá?", perguntou. Ao ouvir os nomes dos amigos e funcionários, ele se mostrou surpreso. "Todos estes foram presos?".

 

Bruno não perguntou pela mulher, Dayanne Rodrigues, também presa. Depois deste diálogo, o goleiro ficou quieto. Não pronunciou mais nenhuma palavra, até ser encaminhado à cela em que passaria sua primeira noite preso. No mesmo local, há 18 anos, ficou preso Guilherme de Pádua, pelo assassinato da atriz Daniela Perez.

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