Justiça bloqueia conta bilionária de empresário de Tatuí

Uma das contas bilionárias de Francisco Nunes Pereira, de 44 anos, conhecido como "Mineirinho", foi bloqueada pela Justiça de Tatuí, na região de Sorocaba, para pagamento de dívidas. Pereira tem perto de R$ 2,5 bilhões em duas contas bancárias, o que o torna a 16ª maior fortuna do País. Mas os R$ 965.418.112,98 depositados numa conta-poupança do Banco do Brasil estão indisponíveis por determinação do juiz Caio Moscariello Rodrigues, da 1ª Vara Cível. No final do ano passado, ele negou pedido de liminar dos advogados de "Mineirinho" para que o dinheiro pudesse ser movimentado. O mais curioso é que o dinheiro foi depositado depois que o bloqueio das contas bancárias de Pereira já tinha sido decretado pela justiça, o que ocorreu em fevereiro de 2003. Também surpreende que, tendo apenas R$ 0,03 nessa conta em março de 2005, segundo informação que consta no processo, o saldo tenha crescido tanto em menos de dois anos.O bloqueio decorre de uma ação de cobrança movida contra ele por Antonio de Luccia. No processo, o autor alegou que tinha vendido um terreno de 4,84 hectares, em Tatuí, para "Mineirinho", mas recebeu apenas uma parte do débito original, de R$ 90 mil. Quando a juíza Stefânia Costa Amorim deu a sentença, em 2001, condenando Pereira, a dívida já havia subido para R$ 103 mil por causa dos juros e correção monetária. O devedor não pagou. Por várias vezes o oficial de Justiça procurou Pereira em sua residência e na "Oficina do Mineirinho", no Bairro Japão, e nada encontrou para ser penhorado. Foi quando a advogada de Luccia decidiu pedir a penhora de "eventuais saldos bancários" do devedor. A juíza autorizou o bloqueio das contas, mas os saldos eram irrisórios. Não havendo bens, nem dinheiro para penhorar, o processo ficou parado por mais de um ano. Em setembro do ano passado, o advogado Sandro Araújo, de Brasília, contratado por "Mineirinho", entrou com ação contra o Banco Central pedindo o desbloqueio da conta, já que tinha sido bloqueado o saldo total e não apenas o valor necessário para cobrir o débito. Nessa altura, a conta já tinha quase R$ 1 bilhão. De acordo com o advogado, o bloqueio caracterizava "excesso de penhora". No despacho que negou a liminar, o juiz lembrou que havia outras ações em andamento e ele esperaria por mais informações. Ainda não houve recurso contra a não concessão da liminar. Ações de cobrançaEm Tatuí, "Mineirinho" responde a 67 ações de cobrança e execuções fiscais. No processo, o advogado conta que seu cliente é "empresário voltado para atividades de comércio exterior, firmando em vários países contratos para exploração e venda de diamantes, pedras semi-preciosas e outras atividades do mesmo segmento". Segundo ele, até 2004, Pereira teve de residir no exterior, retornando ao Brasil para "internalizar" os lucros obtidos com seu trabalho. "Mineirinho" não foi encontrado ontem. Segundo familiares, ele estava em Brasília, sem celular, e só retorna nesta quarta.

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