Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Justiça de Minas Gerais bloqueia R$ 475 milhões da Samarco, Vale e BHP

Medida, a pedido do Ministério Público, tem o objetivo de garantir recursos para ressarcimento de danos à população e à cidade de Barra Longa, atingidas pelo rompimento da barragem em Mariana

Leonardo Augusto, Especial para O Estado de São Paulo

12 de fevereiro de 2016 | 11h07

BELO HORIZONTE - A Justiça de Minas Gerais determinou mais um bloqueio de bens da Samarco e de suas duas controladoras, Vale e BHP Billiton, por causa do rompimento da barragem de Fundão em Mariana no dia 5 de novembro do ano passado. A pedido do Ministério Público Estadual (MPE) em Ponte Nova, as três empresas tiveram bloqueados R$ 475 milhões para ressarcimento de danos à população e à cidade de Barra Longa, a 90 quilômetros de Mariana, um dos municípios atingidos pela lama da represa.

A decisão é do início de fevereiro. No entanto, até esta sexta-feira, 12, não há a confirmação de que os recursos tenham sido bloqueados. A principal dúvida é em relação à decisão tomada pelo desembargador Afrânio Vilela, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), em 26 de janeiro, de que todas as ações de primeira instância relativas à Samarco, dona da barragem de Fundão, fossem transferidas para a Justiça Federal no Estado.

Além de ter devastado o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, a lama que desceu da represa matou 17 pessoas. Duas estão desaparecidas. Antes do bloqueio dos R$ 475 milhões, a Justiça já havia determinado, também a pedido do Ministério Público Estadual, mas em Mariana, o bloqueio de R$ 300 milhões da Samarco em contas bancárias. Parte dos recursos já foi utilizado para pagamento de indenizações. Outros R$ 500 milhões foram depositados pela empresa também para ressarcimento de danos dentro de acordo fechado com a promotoria.

No plano federal, a Samarco e suas controladoras foram acionadas na Justiça pela União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, onde o Rio Doce, poluído pela lama, deságua. O processo pede o pagamento de R$ 20 bilhões pelas três empresas. Um depósito inicial de R$ 2 bilhões deveria ter sido feito pelas companhias em 20 de janeiro. Porém, em acordo com a União e Estados, as empresas ganharam mais prazo, até 4 de fevereiro. Na data, porém as empresas entraram com representação pedindo mais prazo.

Procurada, a Samarco e a BHP informaram que ainda não foram citadas pela Justiça e, por isso, não comentariam. A Vale não se posicionou. A reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação da Justiça Federal em Minas Gerais, que funciona somente a partir do meio-dia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.