Justiça começa a trocar o papel pelo disquete

O primeiro passo para a digitalização dos processos no Tribunal de Alçada Criminal (Tacrim) foi dado nesta segunda-feira. Pela primeira vez em uma audiência, em vez de pilhas de papel sobre a mesa, os juízes tinham às mãos computadores para lerem seus votos. O julgamento foi da apelação de um réu preso em Itanhaém, no litoral de São Paulo, que pediu progressão de regime de pena. Como não foi atendido, entrou com recurso contra a decisão. No Tacrim, os juízes recusaram a apelação e negaram o habeas-corpus. Tudo não durou mais de 2 minutos.Segundo os magistrados, a troca do sulfite por disquetes e informações pela rede deve representar agilidade no trânsito de processos. "É uma economia de 40% a 50% de tempo ao fazer o trânsito de informações apenas por cabo, virtualmente", diz o juiz Luís Soares de Mello. A diferença é que os papéis não passam mais do gabinete de um juiz para outro antes das audiências. "Transita apenas o disquete ou informações entre computadores. O que demoraria um, dois, três dias com o papel, é resolvido imediatamente", afirma Mello. Durante os julgamentos, o juiz pode ir direto ao trecho que está procurando, sem se perder nas folhas.Para instalar o sistema, foram investidos R$ 500 mil em equipamentos e R$ 1,3 milhão na rede. Mas ainda não é desta vez que o papel será eliminado dos tribunais. A decisão final do Tacrim ainda tem de ser feita em sulfite e o próprio processo de primeira instância, vindo das comarcas e das varas criminais, chega ao Tacrim, um tribunal de segunda instância, em pilhas de folhas.

Agencia Estado,

09 de agosto de 2004 | 22h21

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