Justiça concede liberdade a acusado de comandar esquadrão da morte

Florisvaldo de Oliveira, o cabo Bruno, é acusado de matar ao menos 50 pessoas na capital paulista

Gerson Monteiro - especial para o Estado de S. Paulo,

23 Agosto 2012 | 15h04

Texto atualizado às 17h02.

TAUBATÉ - Florisvaldo de Oliveira, o Cabo Bruno, ganhou a liberdade depois de 28 anos atrás das grades. A Justiça de Taubaté concedeu o indulto ao ex-policial militar que foi condenado a 117 anos de prisão por comandar o "esquadrão da morte" na capital paulista.

A decisão da Justiça é embasada no decreto de 2011 da presidente Dilma Roussef (PT), que dá o perdão a presos que tenham cumprido com bom comportamento 20 anos ininterruptos da pena.

Na semana passada, o promotor responsável pelo caso, Paulo José de Palma, emitiu parecer favorável à liberdade de Oliveira, confirmada agora pela Justiça. Em 2009, a defesa do agora ex-detento pediu a progressão de pena, que mudou o regime de fechado para semiaberto. No último Dia dos Pais ele saiu pela primeira vez da prisão.

Na década de 80 o ex-militar foi acusado de 50 assassinatos e comandar o esquadrão da morte que atuava na periferia da capital paulista. Condenado a 120 anos de prisão, com o indulto pleno Oliveira retoma sua vida civil e quita sua dívida com a Justiça. Ele estava preso desde 1983. Em 2002 foi transferido para a penitenciária Doutor José Augusto César Salgado (P 2), em Tremembé, no Vale do Paraíba.

Depois de 28 anos privado da liberdade, deixa a prisão como pastor, onde se converteu e casou-se (em 2008), dentro da P2, com uma cantora evangélica.

Nos últimos três anos, desde a progressão da pena, Oliveira passou a cuidar da horta da penitenciária e a se dedicar a pintura de telas. O ofício do artista foi aprendido durante sua passagem pela Casa de Custódia em Taubaté, em 1996.

Ansiedade. A saída de Florisvaldo de Oliveira, hoje com 53 anos, era aguardada pela esposa e cantora evangélica Dayse da Silva Oliveira, 45 anos, desde as primeiras horas da manhã. "Ele me ligou hoje às 6h30, mas foi tudo de repente que não planejamos nada", comentou.

Dayse conheceu Florisvaldo em uma das missões da igreja evangélica Refúgio em Cristo. Vinda do Rio de Janeiro, conheceu o ex-militar dentro da P2. "Pretendo continuar aqui (em Taubaté, onde ela é pastora de uma igreja), que ele fique aqui comigo, é um milagre esperado", disse.

A cantora não pretende parar os trabalhos na igreja. "Ao meu lado ele será pastor, vai assumir a igreja", disse a pastora. Ela não soube informar se o marido poderá entrar em presídios para fazer as pregações, mas disse que se ele quiser e puder irá acompanhá-la.

A notícia da liberdade do marido lotou o mural de recados do Facebook da pastora que assina como "Dayse França"."É uma alegria que não tem medida. Nós cremos na mudança. Não conheci o Cabo Bruno, só ouvi falar, a única coisa que sei é que vou receber um homem transformado. Só o presente e o futuro é o que nos importa. Agora é vida nova", comemora a cantora, que até o meio da tarde de hoje aguardava com ansiedade a ligação do marido avisando da liberação.

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