Justiça condena 10 pessoas por atuar em milícia

Ex-vereador Jerominho e o irmão, Natalino, pegam 10 anos e meio; ontem, ex-chefe da polícia foi demitido

Talita Figueiredo, Wilson Tosta e Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

A juíza da 1ª Vara Criminal de Campo Grande (zona oeste do Rio), Alessandra Bilac Moreira Pinto, condenou dez pessoas acusadas de integrar a milícia Liga da Justiça. Entre os condenados estão o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e seu irmão, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães. Acusados de serem os líderes da quadrilha, eles receberam pena de dez anos e meio de prisão.Na sentença, a juíza afirma que "os acusados associaram-se em quadrilha armada de forma estável e permanente, para o fim de praticar crimes, alguns de natureza hedionda (homicídios qualificados), implantando na zona oeste de nosso Estado um verdadeiro poder paralelo." A juíza relatou que a quadrilha "exigia de moradores de Campo Grande e redondezas o pagamento de regular contribuição em dinheiro com o pretexto de protegê-los da ação de criminosos" e que não hesitava em cometer "extorsão, sequestros e até mesmo homicídios quando seus interesses eram contrariados". O subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial, Antonio José Campos Moreira, disse considerar a prisão "um marco". "Esse é um caso emblemático. É um resposta do Poder Público à atuação das milícias no Estado", afirmou. Ele lembrou ainda que esse foi o primeiro processo referente a milícias a ser julgado. Os réus sempre negaram o envolvimento com as milícias e devem recorrer da sentença. Entre os outros condenados estão o filho de Jerominho, Luciano Guimarães, e o ex-policial Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, fugitivo de Bangu 8. O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem que pretende oferecer ao governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), a alternativa de passar para a esfera federal a responsabilidade pelo combate às milícias. A possibilidade de federalização, prevista na Constituição em casos de crimes contra os direitos humanos, foi levantada pelo ministro após receber relatório da CPI da Assembleia Legislativa que investigou os grupos paramilitares.Com a mudança, a Polícia Federal poderia assumir as investigações, hoje a cargo da Polícia Civil."Já existe colaboração da PF com a Polícia Civil no Rio e com o governo do Estado", disse Tarso. "A PF tem meios, sim, para ajudar o Estado a combater esse mal terrível que se abate sobre determinadas regiões do Rio."DEMISSÃOÁlvaro Lins, ex-chefe da Polícia Civil fluminense, foi demitido ontem da corporação, após dois anos de investigação pela Corregedoria-Geral Unificada. Ele está preso desde maio. A corregedoria concluiu que o ex-deputado estadual (cassado) loteou delegacias, protegeu interesses de "determinado contraventor penal" (o bicheiro Rogério Andrade, segundo a PF), associou-se a policiais e os comandou com "fins ilícitos", teve aumento patrimonial incompatível com a função, promoveu "inversão hierárquica" para ter maior controle sobre determinadas delegacias e "consequente recebimento de propinas", entre outros crimes.A demissão será publicada hoje no Diário Oficial. O advogado de Lins, Ubiratan Guedes, não foi localizado.

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