Justiça condena co-autora de morte de juiz

Após quatro dias de julgamento, a Justiça Federal do Mato Grosso condenou ontem à noite a escrevente Beatriz Árias pelo crime de co-autoria da morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral. Ela deve ficar presa durante 12 anos em regime fechado. A Justiça acredita que o autor do crime é o tio de Beatriz, o taxista Marcos Peralta, que se encontra foragido desde o dia 10 de setembro de 1999, quando o corpo do juiz foi localizado com dois tiros em Concepción, no Paraguai. Um mês antes de ser morto, Amaral denunciou irregularidades no TJ do Estado contra 18 dos 20 desembargadores.Num crime recheado de contradições e denúncias ainda não comprovadas, a sentença do juiz federal Jeferson Schneider respaldou as conclusões do inquérito aberto pela Polícia Federal e denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal. Beatriz e o seu tio mataram o juiz por motivo torpe e fútil, cujas causas ainda são desconhecidas, avaliaram os sete jurados. O advogado da escrevente, Marcílio Donegá, afirmou que vai recorrer da sentença nos próximos cinco dias. Três desembargadores de Mato Grosso serão investigados pelo Superior de Tribunal de Justiça (STJ). A pedido do procurador-geral da República José Pedro Taques, a quebra do sigilo telefônico do empresário Josino Guimarães levou o STJ a investigar os desembargadores Odiles de Freitas, Ernani Vieira e Flávio Bertin. Foram registradas 51 ligações do empresário Josino para o telefone de Odiles de Freitas, à época presidente Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Além disso, houve outras 57 ligações para Ernani Vieira, numa linha de um genro do desembargador, onde falavam sobre a execução do juiz. A denúncia-crime contra os três desembargadores foi apresentada dia 30 de abril deste ano pela subprocuradora Ieda Pereira, que pediu instauração de procedimento administrativo ao STJ. O Supremo acolheu o pedido e nomeou para relator o ministro José Arnaldo da Fonseca. Os três afirmaram estar perplexos com a revelação e rechaçaram as acusações. Em nota, o desembargador Ernani Vieira disse que foi "pego de surpresa? e que desconhece a que se refere essa notícia-crime. ?Por isso, já requeri à Justiça Federal cópia do documento que menciona o meu nome. Assim que me inteirar com o teor da acusação, procurarei a imprensa para fazer esclarecimentos sobre os fatos."

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