Justiça condena israelense preso em operação da PF a 13 anos e 6 meses

Yoram El Al, de 41 anos, fazia parte de quadrilha com integrantes da máfia do jogo do bicho acusada de importar componentes eletrônicos que 'viciavam' máquinas caça-níqueis

Marcelo Gomes, de O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2013 | 23h41

RIO - O juiz Fabrício Soares, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio, condenou o israelense Yoram El Al, de 41 anos, a 13 anos e 6 meses de reclusão e 1 ano e 2 meses de detenção por lavagem de dinheiro, crime contra a economia popular, contrabando de placas para máquinas eletrônicas programáveis em transporte aéreo e formação de quadrilha armada. A sentença foi publicada no último dia 21.

Yoram foi preso em 7 de outubro de 2010, no Rio de Janeiro, durante a Operação Black Ops da Polícia Federal. A ação desbaratou uma quadrilha com integrantes da máfia do jogo do bicho acusada de importar componentes eletrônicos que "viciavam" máquinas caça-níqueis para reduzir substancialmente a probabilidade de ganho dos apostadores. A organização também é suspeita de importar ilegalmente veículos de luxo usados, principalmente dos Estados Unidos, que foram revendidos para cantores e jogadores de futebol.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça comprovaram que Yoram se associou à quadrilha de José Caruzzo Escafura, o Piruinha, acusado de explorar o jogo do bicho e caça-níqueis em diversos bairros da zona norte do Rio, a fim de vender componentes eletrônicos importados que alteravam a programação das maquinetas para praticamente anular a probabilidade de ganho dos apostadores. A estrutura criminosa contou com a contratação de técnicos estrangeiros (israelenses e russos), que teriam vindo ao Brasil para a adulteração das máquinas caça-níqueis, a fim de torná-las ainda mais rentáveis à quadrilha. O conhecimento destes estrangeiros teria sido adquirido em cassinos do leste europeu, dominados pelas máfias russa e israelense.

Procurado pela reportagem do Estado, o advogado de Yoram, Thiago Ferreira Batista, disse que seu cliente é inocente, e que já recorreu da condenação ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

Segundo as investigações, abaixo de Piruinha na hierarquia da quadrilha está seu filho, Haylton Gomes Carlos Escafura, que comandava e dirigia as atividades do grupo. Piruinha foi condenado a dez anos de prisão. Já Haylton pegou 13 anos. Ele e Yoram já estão presos.

Ao todo, o MPF denunciou 18 pessoas acusadas de ligação com a máfia do jogo do bicho. Outros dois israelenses que teriam sido trazidos ao Brasil por Yoram para alterar a programação das máquinas do grupo foram absolvidos a pedido do MPF. Dois PMs acusados de garantir a segurança dos contraventores e outros 11 membros de segundo escalão da quadrilha também foram condenados.

Atentado. O processo na Justiça Federal contou com informações compartilhadas de um inquérito que tramita no 4º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), que apura o atentado a bomba que explodiu o veículo onde estava o contraventor Rogério Andrade. O filho do bicheiro, então com 17 anos, morreu no episódio, ocorrido em 8 de abril de 2010, no Recreio dos Bandeirantes, bairro nobre da zona oeste do Rio. Segundo as investigações, Yoram teria sido contratado por parentes de Rogério para matá-lo. Yoram teria trazido ao Brasil outro israelense, que teria instalado o artefato explosivo importado no carro do contraventor.

As investigações acabaram desmembradas. Na Justiça Estadual, ficou o processo envolvendo a questão do explosivo e do homicídio. Já o processo sobre contrabando, exploração de jogo e lavagem de dinheiro tramitou na Justiça Federal.

Contra Yoram, há uma ordem de prisão internacional (seu nome está na difusão vermelha da Interpol, a pedido do Uruguai, por haver se envolvido na apreensão de 1,4 milhões de comprimidos de ecstasy). Mesmo assim, a PF preferiu monitorá-lo antes de prendê-lo, a fim de desarticular a quadrilha de bicheiros. No site da Interpol, Yoram é acusado de crimes relacionados a drogas, lavagem de dinheiro, entre outros.

Segundo a PF, Yoram integra uma organização criminosa internacional conhecida como "Abergil Family" (clã Abergil), cujas atividades incluem tráfico de drogas, principalmente ecstasy, assassinatos, extorsão, peculato e controle de cassinos ilegais. O clã é investigado em Israel, onde possui bens avaliados em milhões de shekels.

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