Justiça condenou policiais de SP absolvidos pela corregedoria

Dois policiais civis teriam recebido propina de Chokr para favorecer máfia do jogo

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 13h04

Apesar de a Corregedoria da Polícia Civil definir a conduta dos policiais civis Maruo Ishizaki e Fernando Fernandes Barbosa, acusados de receberem propinas de empresários ligados a empresas de caça-níqueis, a Justiça foi dura e a 5ª Vara Criminal de São José dos Campos os policiais. Eles teriam recebido propina entre 2002 e 2003, a 4 anos de reclusão em regime semi-aberto, ao pagamento de multa e à perda do cargo público. Os policiais poderão recorrer em liberdade da condenação por corrupção passiva qualificada. As informações foram passadas por promotores do Ministério Público Estadual (MPE). A assessoria do Tribunal de Justiça (TJ) afirmou que não pode confirmar a informação porque o processo corre em segredo de justiça.Entre 2002 e 2003, o MPE registrou mais de 600 trechos de conversas telefônicas em que empresários ligados ao jogo e policiais da Seccional de São José dos Campos conversavam sobre a liberação e apreensão de máquinas caça-níqueis na cidade.De acordo com as investigações, o esquema rendia cerca de R$ 600 mil mensais em corrupção aos policiais. Entre as empresas acusadas de participar do esquema, estava a Reel Token, que tinha como sócio o advogado Jamil Chokr, suspeito de pagar propinas a delegacias e seccionais da capital. Ishizaki era o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Geral (DIG) de São José dos Campos e, segundo a investigação, foi o encarregado de organizar o funcionamento do esquema. Nas conversas, os promotores apuraram que os policiais cobravam mensalmente R$ 250 para cada caça-níquel da região. Barbosa era apontado como braço direito de Ishizaki e participava com ele das negociações.Depois das investigações do MPE, o caso foi encaminhado para a corregedoria. Além de Ishizaki e Barbosa, outros cinco policiais foram citados como participantes do esquema. Foram ouvidos os policiais e empresários suspeitos, que negaram os fatos. Todo o material colhido pelos promotores nas investigações foi deixado de lado. Em maio de 2005, a corregedoria recomendou a absolvição dos policiais e até elogiou os funcionários. "Além da total falta de provas de prática de irregularidades administrativas, o grande número de testemunhas de defesa aqui ouvidas deixou patente, de forma unânime, que os acusados são excelentes policiais." A corregedoria informou que apenas recomenda absolvição ou condenação e vai acatar a decisão da Justiça. Barbosa trabalha atualmente na Departamento da Polícia Judiciário do interior (Deinter-1) do Vale do Paraíba. Ishizaki aposentou-se.

Tudo o que sabemos sobre:
Chokrcaça-níquelPolícia Civil

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.