Justiça cria fórum para discutir crime organizado

Cerca de 200 juízes, advogados e promotores de todo o País reuniram-se nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados, em Brasília, para o lançamento do Movimento Nacional da Justiça contra a Violência, fórum permanente de discussõespara auxiliar no combate ao crime organizado.Durante o evento foram distribuídas cópias de uma carta da juíza Cristina Escher, viúva do juiz paulista Antônio José Machado Dias, assassinado emmarço, no interior de São Paulo. "O que peço ao Poder Legislativo, que é o poder competente para fazer leis, pois nós juízes temos a competênciade aplicá-las, é que parem de propor e aprovar leis que permitam que os advogados consigam benefícios para casos que significam aporta de entrada de crimes gravíssimos, como o ocorrido com meu marido", escreveu Cristina.Como exemplo, ela citou o porte de arma, que não leva as pessoas à prisão. "É punindo também os pequenos crimes que poderemos ter a chance de acabar com a cadeia que alimenta o crime mais grave, pois o grande traficante e o grandecontrabandista de armas só existem porque há pessoas que adquirem essas ´mercadorias´."Responsável pelo evento, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) também divulgou os resultados de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul comjuízes de todo o País sobre as razões da violência.O levantamento constatou que, para a maioria dos juízes, as principais causas da violência são má distribuição de renda, desemprego, corrupção na administração pública, falta de investimento na área de segurança pública, ineficiência dosistema prisional e excesso de processos na Justiça.Entre as soluções mais citadas pelos entrevistados estão o combate ao tráfico e ao crime organizado e maior controle das prisões.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.