Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Justiça de Goiás aceita denúncia contra João de Deus

Com a decisão, médium passa a ser réu em dois processos criminais

Isabel Cristina, Especial para O Estado

16 Janeiro 2019 | 17h43

GOIÂNIA - A Justiça de Goiás aceitou nesta quarta-feira, 16, denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual. Com a decisão judicial, João de Deus passa a ser réu em dois processos criminais.

A denúncia aceita pela juíza Rosângela Rodrigues dos Santos foi feita na terça-feira, 15, pelo Ministério Público de Goiás. As vítimas são de oito Estados do País. Uma delas diz ter sofrido abuso na infância e na adolescência. Na nova denúncia feita pelo MP-GO, constam depoimentos de 13 mulheres, dos quais cinco não prescreveram e devem ser julgados.

Os crimes teriam ocorrido durante atendimentos espirituais realizados em Abadiânia. No mesmo documento, o MP faz um novo pedido de prisão para o médium, por estupro de vulnerável e abuso sexual mediante fraude. O Tribunal de Justiça não informou se a juíza já analisou a solicitação. Procurado o advogado de João de Deus, Alberto Toron, afirmou que não se posicionaria a respeito porque ainda não examinou o documento.

A denúncia refere-se a quatro vítimas de Goiás e uma de São Paulo. Em relação aos casos prescritos, as oito mulheres são do Distrito Federal, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Rio Grande do Sul. Segundo o MP, eles foram incluídos por ajudarem a embasar a denúncia. Os crimes teriam ocorrido entre 1990 e 2018.

O MP-GO explicou que as cinco vítimas tinham entre 19 e 47 anos na época dos abusos. Estes casos teriam ocorrido entre 2009 e julho de 2018. “Quatro crimes de estupros de vulneráveis foram praticados em atendimentos individuais e o de violação sexual mediante fraude em atendimento coletivo”, disse a promotora Gabriella Clementino.

Os promotores explicaram que, mesmo que as cinco vítimas tivesem mais de 14 anos na época dos crimes, cabe denúncia por estupro de vulnerável já que elas estavam impossibilitadas de reagir. Uma dessas vítimas relatou ter sido abusada cerca de 20 vezes por João de Deus, entre 2009 e 2010. Ela registrou os crimes em um diário. Neste caso, como foram várias vezes, ele será denunciado por violação sexual mediante fraude com continuidade delitiva.

O médium está preso desde o dia 16 de dezembro, no Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia (GO). A Justiça colheu o depoimento de João de Deus na tarde de segunda-feira, 14. 

Habeas corpus

Nesta terça-feira, o Tribunal de Justiça de Goiás negou habeas corpus a João de Deus. O desembargador Nicomedes Borges destacou que os atos atribuídos ao médium "evidenciam sua periculosidade social, bem como uma possível reiteração."

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