Justiça decreta prisão de PMs acusados de matar jovem no Rio

Denúncia foi feita por amigo de vítima, também sequestrado, que afirmou ter conseguido fugir dos 4 agentes

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2010 | 19h29

A Justiça decretou a prisão temporária de quatro policiais militares acusados pelo sequestro de dois jovens e morte de um deles na noite de quarta-feira no bairro da Penha, zona norte do Rio. A denúncia foi feita pelo sobrevivente, um amigo da vítima, que afirmou ter conseguido fugir dos suspeitos, identificados como agentes do 16º Batalhão da Polícia Militar (Olaria, na zona norte).

 

O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil, com o apoio da corregedoria da Polícia Militar. A PM afirmou, em nota, que as acusações "causam indignação", que o caso será apurado com rigor e que, se a participação dos dois soldados e dois cabos no crime for comprovada, eles serão expulsos da corporação.

 

De acordo com as informações dadas pelo sobrevivente, que não foi identificado, ele e Marcílio de Souza Silva, de 24 anos, estavam em uma motocicleta nos arredores da favela Vila Cruzeiro quando foram abordados pelos policiais. Os agentes teriam roubado dinheiro, celulares e documentos dos jovens, e os levado numa viatura até Parada de Lucas, também na zona norte, onde foram entregues a traficantes rivais dos criminosos que dominam a Vila Cruzeiro.

 

Ainda segundo o depoimento, os rapazes foram recebidos a tiros pelos bandidos e fugiram, mas foram novamente cercados pelos PMs. A testemunha disse que conseguiu escapar e que se escondeu na mata por cerca de três horas. Marcílio teria sido recapturado pelos policiais.

 

A família registrou o desaparecimento dele na 22ª Delegacia de Polícia, na Penha, mas o corpo dele foi encontrado na manhã de quinta-feira, próximo ao Hospital Getúlio Vargas, no mesmo bairro, baleado e com as mãos amarradas. A moto em que os jovens estava não foi encontrada.

 

A mulher de Marcílio com quem ele que tinha um filho de dois anos, contou que o jovem trabalhava como caixa em uma farmácia, no Recreio dos Bandeirantes, e estava de licença médica para tratamento de diabetes. Ela preferiu não revelar seu nome.

 

O amigo de Marcílio acredita que os PMs os confundiram com traficantes da Vila Cruzeiro e os levaram até Parada de Lucas. Ele disse à polícia que é morador da Cidade de Deus, na zona oeste.

 

Os dois cabos e dois soldados suspeitos do crime ficaram presos administrativamente no Quartel-General da PM, foram convocados para prestar depoimento na Delegacia de Homicídios e seriam levados para o Batalhão Especial Prisional (BEP).

Mais conteúdo sobre:
Rioviolência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.