Justiça decreta prisão preventiva de nove PMs no Rio

A Justiça decretou hoje a prisão temporária de novepoliciais lotados no 15.º Batalhão da Polícia Militar, em Duque de Caxias, e a prisão preventiva de cinco PMs do 6.º Batalhão,Tijuca. Os primeiros são acusados por três homicídios, tortura, concussão (extorsão cometida por funcionário público), abuso deautoridade e formação de quadrilha.Um agente de segurança da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que estava cedido à 60.ª Delegacia Policial, em CamposElíseos, também foi preso. Os PMs da Tijuca são acusados por quatro mortes e duas tentativas de homicídio no Morro do Borel.Os três sargentos e seis soldados do 15.º BPM foram acusados por moradores de Imbariê, distrito de Caxias (BaixadaFluminense), de terem executado três pessoas, uma em 14 de novembro e outras duas no dia 28.?É o nosso recado: os policiais que agem de forma criminosa serão tratados com o rigor da lei. A Operação Transparência não é brincadeira?, disse o secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho. A decisão de dar publicidade ao fato busca estimularnovas denúncias. Ele disse ter afastado 53 PMs em duas semanas.O inspetor-geral de Polícia, coronel João Carlos Ferreira, comparou o caso com o episódio ocorrido na Favela de Parada deLucas, mês passado, quando PMs assassinaram o guardador de carros Leandro dos Santos Silva, de 24 anos. Oito policiais do16.º BPM, em Olaria, foram presos, assim como o então comandante da unidade, tenente-coronel Lourenço Pacheco, exoneradodo cargo na ocasião.Ferreira contou que um líder comunitário de Imbariê reuniu moradores para denunciarem os crimes à Corregedoria GeralUnificada. Testemunhas depuseram a corregedores, que solicitaram à Polícia Civil a abertura de inquérito para reavaliar osregistros das mortes, apresentadas pelos PMs como autos de resistência, ou seja, como se tivessem ocorrido durante umconfronto.O secretário disse que, apesar de terem acontecido em Imbariê, os assassinatos foram registrados em outra localidade, nãoinformada por ele. Garotinho contou que os policiais negaram ter estado no local do crime, mas o sistema de monitoração porsatélite existente nos carros da PM os desmentiu. ?Não podemos dar detalhes, pois isso atrapalharia as investigações. Mastemos provas de que esses policiais praticaram um ato ilegal?, afirmou.A secretaria investiga também por que o agente de segurança da Uerj Júlio César Fernandes Pena Braga, de 35 anos, estava àdisposição da 60.ª DP e atuava irregularmente como policial. ?Isso nós também vamos apurar. É o outro capítulo?, disseGarotinho.

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