Justiça deve apurar ligação de deputada com bicheiro

A Câmara deverá deixar para a Justiça Eleitoral apurar se a deputada Marina Maggessi (PPS-RJ) teria recebido do grupo do bicheiro Aílton Guimarães, o capitão Guimarães, financiamento irregular para sua campanha. Guimarães foi preso na operação Hurricane (furacão, em inglês) da Polícia Federal. O corregedor da Casa, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), disse que análise preliminar dos assessores da corregedoria mostra que se trata de eventual crime eleitoral e que, além disso, a deputada ainda não havia tomado posse quando o fato aconteceu, portanto, não caberia abertura de processo de cassação, segundo esse entendimento. "A tendência é essa, mas vamos esperar os desdobramentos. Não vou pedir o arquivamento ainda. Vou ouvir mais pessoas, vou analisar melhor", disse Inocêncio. Quando for concluído, o parecer do corregedor será submetido à Mesa Diretora. Oliveira disse não saber quando tempo irá esperar para concluir seu parecer. Enquanto isso, o Psol analisa entrar com pedido de cassação do mandato da deputada diretamente no Conselho de Ética da Câmara. "Estamos apenas aguardando a manifestação da deputada em plenário. A acusação é séria e o fato de ela ter silenciado em plenário agrava muito. Esperamos que ela e o PPS se manifestem. Depois, vamos discutir a possibilidade de representação com a bancada e a Executiva do partido", afirmou o líder do Psol, Chico Alencar (RJ). Suposta quebra de decoro O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), já havia pedido ao corregedor que apurasse eventual quebra de decoro da deputada Maggessi quando surgiram gravações telefônicas nas quais ela estaria sugerindo a um colega "dar uns tiros" em um outro policial. Oliveira adiantou que, nesse caso, a assessoria da corregedoria entendeu que o fato se deu quando ela não era deputada ainda e que, portanto, a tendência é a de não abrir processo contra a parlamentar. Oliveira anexou os dois requerimentos de Chinaglia. De acordo com relatório reservado da Polícia Federal, Maggessi teria recebido dinheiro na forma de caixa 2 para a campanha que a elegeu deputada em 2006. "A denúncia é grave. Entretanto, é preciso saber se existe algum tipo de realidade na denúncia. Então, nós temos de ter acima de tudo o direito de defesa para qualquer cidadão, até porque nem sempre as denúncias se confirmam", afirmou Chinaglia. O líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja (SC), disse que o partido vai esperar as explicações da deputada antes de adotar qualquer ação sobre as denúncias. "Ela precisa explicar primeiro à sociedade, depois para a bancada. Não vamos tomar posicionamento por enquanto. Vamos ver as explicações", disse Coruja. O deputado sugeriu uso político das gravações por setores da Polícia Federal ao divulgar apenas o nome da deputada ao mesmo tempo em que afirma que vários políticos foram supostamente beneficiados com financiamento de campanha do esquema do bicheiro. "Ela (Maggessi) precisa se explicar, mas, por outro lado, ficamos preocupados com o fato de a polícia estar vazando informações apenas contra ela. Na gravação não fala que a doação foi para vários políticos? Começamos a ter a preocupação de que um setor ou outro da polícia possa estar agindo politicamente", suspeitou Coruja. Deputada nega recebimento de recursos Marina Maggessi nega que tenha recebido qualquer recurso do grupo do bicheiro Ailton Guimarães para sua campanha. O nome da ex-delegada da Polícia Civil do Rio apareceu em relatório reservado do serviço de inteligência da Polícia Federal. Nas investigações da Operação Hurricane, o capitão Guimarães foi uma das 25 pessoas presas pela PF, na sexta-feira passada. Em entrevista ao Estado, a deputada admite conhecer o bicheiro e ter se encontrado com ele várias vezes. Estado - Relatório sigiloso da Polícia Federal diz que a senhora teria recebido recursos do bicheiro Ailton Guimarães, conhecido como capitão Guimarães, para sua campanha eleitoral. Maggessi - Não posso me defender de uma coisa sem saber o teor, o conteúdo das acusações. Eles vazaram um relatório da Polícia Federal. Mas não aparece ninguém falando de dinheiro. É tão sigiloso esse relatório que está em todos os jornais. Pelo visto, só não é sigilosa a minha parte. Estado - A senhora recebeu dinheiro do capitão Guimarães? Maggessi - É óbvio que não. Sou discípula de Denise Frossard. Foi ela quem pôs os bicheiros na cadeia. Você acha que eles iam me dar dinheiro? Estado - A senhora conhece o capitão Guimarães? Já esteve com ele? Maggessi - Já encontrei com ele várias vezes. O Rio de Janeiro todo o conhece o capitão Guimarães. Ele é uma pessoa que freqüenta shows, é presidente da Liesa (Liga das Escolas de Samba). Conheço o capitão Guimarães como todo mundo. Estado - Quando foi a última vez que a senhora se encontrou com ele? Maggessi - Não me lembro. Estado - O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), enviou pedido para a Corregedoria da Câmara investigar as denúncias contra a senhora. Maggessi - Ele fez correto. Mas é preciso saber quem me acusa. Ele vai requisitar à Polícia Federal tudo o que tem contra mim. Dou muita força até para saber do que eu sou acusada formalmente. Estado - Qual sua posição em relação ao jogo do bicho? Maggessi - Não tenho nenhuma posição em relação a isso. Para mim é irrelevante essa história. Quem tem posição sobre isso é o governador Sérgio Cabral Filho: ele é a favor. Inclusive já declarou isso. Estado - A senhora vai pedir licença da Câmara? Maggessi - Não. Eu estou doente, em tratamento médico. Estou com otite grave, eu sou diabética. Otite tão grave que é a olhos vistos. Vou dar uma entrevista nesta quinta no Rio, às 10 horas. Eugênia Lopes, Denise Madueño e Luciana Nunes Leal

Agencia Estado,

18 Abril 2007 | 19h52

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