Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Justiça do Rio marca julgamento da ex-deputada Flordelis para o dia 9 de maio

Flordelis responde com mais oito acusados pela morte do pastor Anderson do Carmo, que foi executado a tiros em junho de 2019

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 08h12
Atualizado 30 de março de 2022 | 18h54

RIO - O Tribunal do Júri de Niterói (Região Metropolitana do Rio) marcou para 9 de maio o julgamento da pastora e ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza, de 61 anos, pelo homicídio do marido, o pastor Anderson do Carmo, ocorrido há quase dois anos. A ex-parlamentar é acusada, pelo Ministério Público do Rio, de ser a mandante do homicídio, ocorrido em junho de 2019 em frente à casa do casal. Flordelis teve o mandato parlamentar cassado em 11 de agosto do ano passado. Está presa desde o dia 13 daquele mês.

A data do julgamento foi marcada pela juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, responsável pelo processo. Além de Flordelis, outras dez pessoas foram acusadas de envolvimento no crime. A ex-deputada nega todas as acusações.

Dois filhos da pastora já foram condenados, em julgamento feito pelo Tribunal do Júri em novembro de 2021. Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis acusado de disparar os tiros que mataram Anderson, foi condenado a 33 anos e dois meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma, uso de documento falso e associação criminosa armada. Lucas Cézar dos Santos de Souza, filho adotivo que teria ajudado a comprar a arma, foi senteciado a sete anos e meio de prisão por homicídio triplamente qualificado. A pena foi reduzida porque ele colaborou com as investigações.

Outras nove pessoas ainda serão julgadas. Em 12 de abril, cinco vão a júri: o filho biológico de Flordelis Adriano dos Santos Rodrigues, os filhos adotivos André Luiz de Oliveira e Carlos Ubiraci Francisco da Silva e o ex-PM Marcos Siqueira Costa e sua mulher, Andrea Santos Maia. Em 9 de maio, junto com Flordelis, serão julgadas três pessoas: sua filha biológica Simone dos Santos Rodrigues, sua neta Rayane dos Santos Oliveira e a filha adotiva Marzy Teixeira da Silva.

Pastora nasceu no Jacarezinho, onde começou a cantar em cultos

Flordelis nasceu e foi criada na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio. Aos 14 anos perdeu o pai e um irmão em um acidente de carro. Nessa época já acompanhava a mãe em cultos de uma igreja evangélica da favela, em cujo coral cantava. Começou a ajudar crianças envolvidas com o tráfico de drogas, fundou uma igreja (o Ministério Flordelis) e fez sucesso como cantora. Anderson era 16 anos mais novo que ela e, ao se aproximar da família de Flordelis, primeiro namorou uma filha dela. Depois acabou se casando com a pastora.

Segundo a Polícia Civil e o MP-RJ, era Anderson quem comandava as carreiras política, religiosa e artística da mulher. Flordelis e alguns de seus filhos estariam discordando das decisões dele Por isso, teriam tentado matá-lo por envenenamento, mas falharam..

Por volta das 4h de 16 de junho de 2019, o casal chegou de um passeio. Flordelis entrou em casa, no bairro de Pendotiba. Anderson foi abordado por criminosos e levou mais de 30 tiros. Ele chegou a ser socorrido no Hospital Niterói D’Or, no bairro de Icaraí, mas morreu. O pastor tinha 42 anos.

Flordelis ordenou o crime, diz MP

Segundo o MP-RJ, Flordelis foi responsável por arquitetar o homicídio, arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participar do crime e simular um latrocínio (roubo seguido de morte). A deputada também financiou a compra da arma e avisou da chegada da vítima no local em que foi executada, afirma a denúncia.

Para o MP-RJ, o motivo do crime seria o fato de a vítima manter rigoroso controle das finanças familiares. Ele também administraria conflitos de forma rígida, não permitindo tratamento privilegiado das pessoas mais próximas a Flordelis, em detrimento de outros integrantes da numerosa família.

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