Justiça embarga construção de quatro torres no centro do Rio

Obra teria provocado abalo nos edifícios vizinhos, inclusive na Igreja de Santo Antônio dos Pobres

Clarissa Thomé, da Agência Estado,

12 de dezembro de 2009 | 12h38

A Justiça embargou, no fim da noite de sexta-feira, 11, a construção de quatro torres de escritórios, no Centro do Rio. A suspeita é de que a obra, da construtora W Torre Engenharia S/A, teria provocado abalos em imóveis vizinhos. Na madrugada de quinta-feira, o edifício de número 22 afastou-se cerca de cinco centímetros do prédio vizinho. A Igreja de Santo Antônio dos Pobres também foi afetada.

 

O pedido de embargo da obra foi feito pelos moradores do edifício 22, que permanece interditado. A liminar foi concedida pela juíza de plantão Andréia Florêncio Berto, do Tribunal de Justiça do Rio. "Considerando o risco que o condomínio autor vem sofrendo com a obra, no abalo de sua estrutura, necessária se faz a suspensão temporária da obra até que o local seja inspecionado por um perito judicial imparcial", escreveu a juíza

 

Em caso de descumprimento da decisão, a empresa deverá pagar R$ 1 milhão de multa diária. A construtora informou que vai recorrer da liminar, por entender que não há ligação entre a obra e os problemas ocorridos.

 

A construção das torres, que serão alugadas pela Petrobrás, ocupa uma área de 187 mil metros quadrados, entre as ruas dos Inválidos, do Senado, Henrique Valadares e Travessa Dídimo. Para construir seis andares de garagem subterrânea, a empresa cavou um buraco de 22 metros de profundidade, que encheu com a água das chuvas. De acordo com vistoria do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), durante o processo para bombear a água do buraco, partículas do solo foram removidas, o que teria afetado a fundação de prédios vizinhos.

 

Na quinta-feira, oito imóveis chegaram a ser interditados. Seis foram liberados. Cinquenta famílias do edifício 22 ainda estão impedidos de voltar para casa. Na sexta-feira, a W Torre escorou a Igreja de Santo Antônio dos Pobres, construída há 202 anos. A empresa teria se comprometido a restaurar o templo.

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