Justiça federal de Mato Grosso nega prisão temporária de Freud Godoy

A Justiça Federal do Mato Grosso negou o pedido de prisão temporária de Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência da República apontado como o responsável pela contratação de intermediários para a compra de um dossiê apontando o envolvimento do candidato tucano ao governo paulista, José Serra, com a chamada máfia dos sanguessugas. Nesta terça-feira, também foram negados os pedidos de prisão preventiva de Darci José Vedoin, e de prorrogação da prisão temporária de Gedimar Pereira Passos, Paulo Roberto Dalcol Trevisan e Valdebran Carlos Padilha da Silva, igualmente envolvidos no processo de negociação do dossiê.O pedido de prisão a Freud foi formalizado na manhã desta terça, pelo procurador da República Mario Lúcio Avelar. No entanto, o juiz substituto da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, Marcos Alves Tavares, avaliou a prisão como "completamente desnecessária" e ressaltou que a medida só cabe quando for "imprescindível para as investigações do inquérito policial e quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos ao esclarecimento de sua identidade, hipóteses não ocorrentes na espécie".Com relação à prisão de Vedoin, o juiz declarou que os elementos que justificam o pedido de prisão "não são suficientes, em uma análise preliminar, para comprometer a ordem pública e a instrução criminal". O Ministério Público havia alegado que a prisão de Vedoin serviria para "assegurar a ordem pública, afastando a reiteração criminosa".O juiz federal decidiu pela libertação de Gedimar Pereira Passos, Paulo Roberto Dalcol Trevisan e Valdebran Carlos Padilha da Silva ao fim do prazo estabelecido em 15 de setembro de cinco dias de prisão temporária dos acusados. De acordo com a decisão, eles devem ser libertados amanhã.Alves Tavares negou também o pedido do Ministério Público de realizar uma acareação com os demais investigados no caso. Para o juiz não há "nada de concreto" que justifique a necessidade, mas ele ressaltou que a medida poderá ser revista, caso haja necessidade.DepoimentosNa sede da Polícia Federal em Cuiabá, o empresário Valdebran Padilha continuou afirmando que o dinheiro com o qual foi preso seria entregue à família Vedoin. Contudo, até às 15 horas, Valdebran ainda não tinha contado qual era a fonte destes recursos, apenas que viria do PT. Ele também esclareceu que este dinheiro seria destinado aos Vedoin, pois a família alegou dificuldades financeiras, problemas de doença na família e bens bloqueados. Durante seu depoimento, com a falta de informações sobre a origem do dinheiro, Valdebran foi advertido pelo delegado Diógenes Curado sobre as conseqüências jurídicas do falso testemunho. Ele entrou em várias contradições para não informar a procedência do dinheiro. Perto das 13 horas, a primeira parte do depoimento de Valdebran Padilha foi interrompida por duas horas para o almoço.O advogado de Valdebran, Luiz Antonio Lourenço da Silva, disse que os documentos com supostas denúncias contra tucanos no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas seriam entregues à Justiça, para verificar se havia fatos criminosos, e depois ao PT. Ao ser perguntado se seria entregue ao PT local ou nacional, o advogado não soube responder. "O PT é o PT", afirmou.Para o advogado, Valdebran não cometeu crime algum. No depoimento, segundo relato do advogado, Valdebran disse que o empresário Luiz Antonio Vedoin, dono da Planam é que o procurou para dizer que estava em dificuldades financeiras e que tinha os tais documentos. O empresário disse que não comprou os documentos e que apenas ajudou a família Vedoin.Ainda de acordo com o depoimento do empresário, quem tratou dessa parte do dinheiro foi Gedimar Passos, que atua na área de inteligência na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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