Justiça impede sacrifício de animais sadios em Sorocaba

Uma decisão da Justiça que proibiu o sacrifício de cães e gatos de rua que não estejam severamente doentes causa polêmica em Sorocaba, a 92 km de São Paulo. A sentença foi dada na semana passada pelo juiz Marcos Soares Machado, da Vara da Fazenda Pública, em ação civil pública impetrada pela Associação Protetora dos Animais de Sorocaba (Aspa).De acordo com a vice-presidente da Fundação Alexandra Schulumberger, Eliana Alegreti, por causa da medida, o Centro de Controle de Zoonoses da cidade estaria se negando a receber animais saudáveis, retirados das ruas pela entidade. "Se isso continuar, não teremos onde colocar os animais e vai virar um caos." Há receio de uma suspensão na retirada de animais abandonados das ruas, o que poderia acarretar riscos para a saúde pública.A entidade terá um encontro com o prefeito Vítor Lippi (PSDB) no domingo, 5, para discutir o assunto. De acordo com Eliana, a lei atribui ao Estado o dever de tutelar os animais domésticos sem dono. O procedimento, até agora, incluía o sacrifício de cães e gatos recolhidos pelo Centro de Zoonoses e não reclamados pelos donos. Cerca de 20 animais eram recolhidos por dia e levados ao canil. Se os donos não fossem buscar em três dias, eles poderiam ser sacrificados.O presidente da Aspa, José Cubas Garcia, entrou com ação depois de denunciar o que considerou a prática de maus tratos contra os animais. Ele registrou em filme o sacrifício de cães e gatos que, depois de abatidos, eram deixados no meio de animais vivos, até a passagem do veículo coletor - o mesmo usado na coleta de lixo hospitalar. As imagens sugeriam que os animais eram sacrificados sem o uso de anestésicos.De acordo com o juiz, a lei de proteção aos animais não permite o sacrifício daqueles que não estejam doentes de forma incurável. A entidade quer que a prefeitura instale um recinto com veterinário para que os animais possam ser castrados e doados a pessoas que se interessarem pela adoção. A prefeitura aguarda a notificação da justiça para decidir que medida vai adotar.

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