Justiça interdita trecho da Transbrasiliana em MG até janeiro

O juiz-substituto Felini de Oliveira Wanderley, da primeira Vara da Justiça Federal de Uberlândia (MG), determinou a interdição, entre esta sexta-feira e o próximo dia 13 janeiro, de um trecho de 42 quilômetros da rodovia Transbrasiliana (BR-153), entre o quilômetro 58, no entroncamento com a BR-365, e quilômetro 100, na cidade de Prata (MG). A decisão foi tomada em virtude das péssimas condições de tráfego da via, um dos principais centros de ligação entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste do País, agravadas com as chuvas intensas no local.A interdição ocorreu após ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, em setembro deste ano. Na decisão, o juiz federal esclareceu que a interdição não implicará em limitação ao direito de ir e vir, pois existe a possibilidade de uma rota alternativa.Há duas opções para os motoristas que utilizam o trecho: sair no entroncamento com a BR-365 e seguir até Uberlândia para, em seguida, pegar a BR-497 até Prata, o que aumenta o percurso em 110 quilômetros. Outra opção é utilizar as BR-452 na divisa entre Minas Gerais e Goiás e a BR-497 também até Prata. Só as que essas rodovias também estão em condições ruins de tráfego.Durante o período da interdição, a Polícia Rodoviária Federal deverá permitir apenas o tráfego de veículos de moradores das fazendas localizadas no trecho. O Dnit foi intimado a efetuar sinalização do local com placas indicativas e a implantar obstáculos nas duas extremidades do trecho com a finalidade de impedir o tráfego de veículos.O juiz Wanderley determinou ainda que, durante o período da interdição, o Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transporte (Dnit) efetue obras para tapar os buracos que causem riscos de acidentes na rodovia. A assessoria de imprensa do Dnit em Minas Gerais informou que há a previsão de uma restauração completa no trecho e não uma operação tapa-buracos, mas que são necessários R$ 5 milhões de investimentos na obra, dinheiro que ainda não foi liberado pelo governo federal.Segundo o Ministério Público Federal mineiro, para acatar o pedido de interdição dos procuradores o juiz Wanderley inspecionou pessoalmente o local, constatando que "salta aos olhos as péssimas condições da rodovia federal" e que "assim, dúvida não há que a interdição do mencionado trecho da rodovia se faz necessária como forma de preservar a vida humana".A ação civil pública relata que, desde 2001, só entre os quilômetros zero e 110 da BR-153, ocorreram 313 acidentes que causaram 55 mortes, 272 feridos, 161 desses em estado grave. "Situação essa poderia ter sido em grande parte evitada pelo poder público, mediante obras de engenharia ainda não efetivadas no local, não restando outra alternativa que não seja a drástica medida de interdição", finaliza o juiz.

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