Justiça investiga irregularidades em Cefet de Belém

Agentes da Polícia Federal do Pará, cumprindo mandado de busca e apreensão da Justiça Federal de Belém, apreenderam, nesta quinta-feira à tarde, diversos computadores, disquetes e outros equipamentos de informática do Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet), cujos diretores estão sendo acusados de desvio de recursos públicos, superfaturamento em obras e enriquecimento ilícito. O material apreendido foi levado para a sede da PF onde será periciado. O procurador da República em Belém, Ubiratan Cazzeta, denunciou à Justiça que o diretor do Cefet, Sérgio Cabeça Braz, e outros dirigentes da escola investigados pela Secretaria Federal de Controle Interno vinham impedindo o trabalho de apuração dos fatos, sonegando documentos e criando toda sorte de dificuldades aos agentes do governo. Por causa das irregularidades já comprovadas, Sérgio Cabeça foi demitido do cargo na última sexta-feira pelo ministro da Educação, Paulo Renato. A corregedora-geral da União, Anadyr Rodrigues, em ofício enviado no dia 31 de dezembro passado ao secretário-executivo do Ministério da Educação, Luciano Patrício, pediu que seja nomeado um interventor para o Cefet, enquanto os auditores federais concluem seu trabalho. "As irregularidades são gravíssimas", acrescentou Anadyr. Quem ocupa o lugar de Cabeça é Wilson Tavares Von Paumgartten, um dos principais envolvidos nas irregularidades no órgão. "Se os acusados forem condenados pela Justiça, eles terão de devolver o que foi desviado dos cofres públicos, mas, por enquanto, a nossa posição é a de aguardar o desfecho das investigações", afirmou Patrício. O secretário do MEC admitiu a existência de irregularidades no Cefet do Espírito Santo e Mato Grosso. Sobre denúncias de problemas idênticos nos Cefets do Piauí e da Paraíba, ele disse que ainda não haviam chegado ao seu conhecimento. Sérgio Cabeça afirmou ao Estado que as denúncias contra ele foram plantadas por "pessoas maldosas". Ele disse que nenhuma das supostas irregularidades têm qualquer procedência. "Passei 18 anos dirigindo o órgão e o coloquei como um dos melhores do Brasil. Este é o preço que estou pagando por tudo o que fiz", resumiu o ex-diretor. Perguntado se não temia uma investigação sobre seu patrimônio pessoal, Cabeça foi taxativo: "sou um homem de poucos recursos e de vida humilde".

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