Justiça manda reabrir investigação sobre a morte de Toninho do PT

TJ diz que indícios de participação do principal suspeito pelo assassinato do prefeito de Campinas, em 2001, são insuficientes

Rose Mary de Souza, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2010 | 00h00

A Polícia Civil de Campinas reabriu as investigações sobre as circunstâncias da morte do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, assassinado com um tiro em 10 de setembro de 2001. O processo com 7 volumes e cerca de 20 mil páginas foi encaminhado anteontem pelo juiz José Henrique Torres, da 1.ª Vara do Júri, ao delegado seccional, José Carneiro Campos Rolim Neto. Na próxima semana, Rolim Neto deve indicar um delegado para fazer novas investigações.

O processo estava parado desde 2008 e retornou ao Fórum de Campinas em julho depois de passar pela junta de três desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que sustentam a insuficiência de indícios da responsabilidade de Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, na autoria do crime contra o prefeito.

Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) ao TJ-SP, Andinho seria o autor dos disparos contra o carro de Toninho, na noite em que o prefeito seguia por uma avenida de Campinas. Um dos tiros atingiu o prefeito e o seu carro parou no meio-fio.

Após encaminhar várias linhas de investigação e descartar três jovens ocupantes de duas motocicletas como suspeitos, a polícia chegou à quadrilha chefiada por Andinho. Ele está preso na Penitenciária de Presidente Bernardes, interior de São Paulo, sentenciado a cumprir penas que, somadas, ultrapassam 400 anos em regime fechado - a maior parte por sequestro, extorsão, formação de quadrilha e latrocínio. Em juízo, o réu nunca confessou participação na morte do prefeito. Os outros três integrante do grupo foram mortos em tiroteio com policiais de Campinas em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo. A pistola 9 milímetros de onde partiu o disparo que matou Toninho jamais foi localizada.

Segundo o processo que agora está na Delegacia Seccional, Andinho seguia num Celta em alta velocidade, em companhia de três homens, quando o Palio conduzido pelo prefeito, em baixa velocidade, "atrapalhou" a fuga do grupo. Na versão da Polícia, o grupo fez disparos contra o carro de Toninho para que ele saísse da frente.

A viúva de Toninho, Roseana Garcia, sempre desconfiou de motivação política, e não de crime comum. Segundo ela, Toninho estava preparando um dossiê sobre desvios de conduta em sua administração. Roseana aguarda resposta de pedido feito em setembro de 2009 à Procuradoria-Geral da República, em Brasília, para incluir a Polícia Federal nas investigações.

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