Justiça mantém ambulante na 25

Dono de barraca de bijuterias conseguiu reverter a decisão de mandá-lo para bolsão durante reformas

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

Se na tarde de ontem, na Rua 25 de Março, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar suavam para garantir a tolerância zero imposta pela Prefeitura à permanência de camelôs na principal via de compras da cidade, na altura do número 900 uma barraquinha de bijuterias parecia alheia à confusão. O dono do ponto, o baiano Antonio Alves Leite, de 70 anos, que trabalha nas ruas da cidade desde 1968, conseguiu voltar ontem para a Rua 25, graças a uma liminar obtida na 14ª Vara de Fazenda Pública. Chegou às 8h30 e trabalhou até às 17h. "É o meu direito", diz.O advogado Ernande de Souza Ruvenal, que conseguiu a liminar para Leite, diz que tem 16 clientes com pedidos semelhantes e a Justiça pode autorizá-los a voltar à 25 de Março ainda hoje. "Só posso garantir a volta depois que tudo estiver pronto, o que deve acontecer amanhã (hoje). Vai depender da agilidade do oficial de Justiça", disse.Na segunda-feira da semana passada, a Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras retirou da Rua 25 de Março 74 ambulantes que trabalhavam no local com autorização. Eles foram transferidos por cem dias para o bolsão da Praça Coronel Fernando Costa. A Prefeitura vai realizar limpeza da rua e do sistema de drenagem da região. A medida visa ainda a coibir irregularidades, como calçadas danificadas e contravenções de trânsito. "No bolsão, a gente não consegue vender nada. É no máximo R$ 30 por dia", afirma Geraldo Florêncio da Silva, que ontem vendeu na Praça Fernando Costa, mas que aguardava para hoje a liminar que o autorizasse a vender na 25 de Março. O secretário Andrea Matarazzo afirmou que a Prefeitura já acionou a Justiça para tentar derrubar a liminar. "A batalha vai ser na Justiça. Não tem outro caminho", diz.Leite conta que foi para as ruas há 30 anos, depois de perder os dedos indicador e médio na prensa de uma metalúrgica. Aposentado, passou a vender bijuterias. Em 2002, perdeu a autorização da Prefeitura para continuar trabalhando nas ruas, mas obteve uma liminar em 2005 para voltar. Desde aquela época, trabalha amparado pela Justiça. QUEIXASMatarazzo reclama que a luta para tentar diminuir os camelôs nas vias às vezes encontra problemas inesperados. "Não acho que é enxugar gelo. O centro tem hoje um terço dos ambulantes que tinha antigamente. A retirada dos ambulantes é fundamental para que a gente consiga tocar as obras por lá."

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