Justiça nega arquivamento de investigação de apagão aéreo

A Procuradora da Justiça Militar, Zilah Petersen, negou nesta segunda-feira o pedido do Ministério Público para arquivar o Inquérito Policial Militar (IPM) aberto por solicitação do Comando da Aeronáutica para apurar suposta prática de crimes por controladores militares durante o primeiro apagão aéreo, em novembro do ano passado, quando teria sido realizada a chamada operação-padrão."Entendo que os crimes ocorreram e que não foram identificados os seus autores por ineficiência de provas e de investigação", declarou ao Estado, Zilah Petersen.Por considerar que houve prática de pelo menos cinco crimes militares, a procuradora Zilah pediu o processo de volta e, na sexta-feira da semana passada, o encaminhou à Câmara de Coordenação para uma revisão do seu teor, que definirá se o arquivamento pedido pela procuradora Ione de Souza Cruz será mantido. Se os integrantes da Câmara não concordarem com o arquivamento, o IPM será devolvido à primeira instância e um outro procurador será designado para reabrir as investigações. Não há prazo para esta decisão ser anunciada. "Não acho impossível identificar os autores dos crimes", declarou Zilah, ao comentar que nos depoimentos tomados durante a investigação verificou-se que os controladores se reuniram para tratar de atrasos de vôos e isso é crime militar. Um dos crimes que os controladores podem ser acusados é de desobediência, que prevê pena de dois a quatro anos de prisão.Neste final de semana, as chuvas e uma pane elétrica provocaram um novo apagão aéreo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência para discutir a questão e ordenou uma investigação para descobrir as causas dos novos problemas nos aeroportos.

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