Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Justiça prorroga por 30 dias prisão de detidos por incêndio no RS

Quatros suspeitos de causar a tragédia que matou mais de 200 pessoas ficarão presos por mais 30 dias

Diego Zanchetta e Lucas Azevedo, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2013 | 12h42

O juiz Regis Betolini, da Comarca de Santa Maria, prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Elissandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, sócios-proprietários da boate Kiss, onde ocorreu o incêndio que matou mais de 230 pessoas, na madrugada do último domingo, e também do cantor Marcelo de Jesus dos Santos e do auxiliar da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha. Eles tiveram a prisão temporária, de 5 dias, decretada logo após o incêndio.

O pedido de prorrogação foi enviado para o juiz pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, que viu indícios de crime hediondo na morte das 236 pessoas na boate. Em manifestação encaminhada na quinta à noite à Justiça, os promotores Joel Oliveira Dutra e Waleska Flores Agostin afirmam que houve "um crime de homicídio qualificado" e que os acusados assumiram "risco de produzir o resultado morte".

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul.

A tragédia começou às 2h30 de domingo, 27, quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo- eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Em entrevista à Radio Estadão na manhã da última quinta-feira, 31, o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro disse que a Prefeitura não deveria ter concedido alvará para a casa noturna.

"Mesmo que (a boate) estivesse dentro de normas legais de engenharia, qualquer leigo olharia aquele local e não daria alvará. Não tinha portas laterais, era uma espécie de alçapão, uma estrutura predatória da vida humana. E era visível que a casa estava preparada para receber mais gente do que o autorizado, cerca de 600 pessoas", afirmou Genro.

O governador disse, ainda, que a Prefeitura deveria ter lacrado a boate em agosto, quando venceu o alvará dado pelo Corpo de Bombeiros. "Mesmo que o documento esteja em análise, a casa deveria estar fechada até o documento sair."

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