Justiça prorroga prisão de acusados de espancar doméstica

Os cinco jovens permanecerão por mais dez dias em prisão no Rio

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 14h49

A Justiça prorrogou por dez dias a prisão temporária dos cinco acusados pelo espancamento da empregada doméstica Sirley Dias Carvalho Pinto, de 32 anos, na madrugada de sábado, 23, na Barra da Tijuca, na zona sul da cidade. A polícia agora procura um sexto rapaz chamado Artur, que estava no carro e pode ter participado da agressão.A polícia descobriu que após espancar a empregada os acusados ainda brigaram com um outro grupo de jovens em um posto de gasolina, na Avenida das Américas, no mesmo bairro. A motivação da briga seria a rivalidade entre jovens que moram em diferentes condomínios."A postura de cinismo deles é impressionante. Agora, eles negam tudo", declarou o delegado titular da 16ª Delegacia de Polícia, Carlos Alberto Nogueira Pinto. Segundo ele, o grupo "pensou que não ficaria preso", mas agora começa a se acusar mutuamente. Eles não ficarão em celas especiais por não terem diplomas universitários, mas devem ficar isolados dos demais detentos.Nesta terça-feira, Sirley reconheceu o estudante de direito Rubens Arruda Bruno, de 19 anos, o universitário do curso de administração Felippe de Macedo Nery Neto, 20, o estudante de gastronomia e dono de quiosque Júlio Junqueira, 21, e o estudante de turismo Rodrigo Baçalo como seus agressores. Segundo a empregada, o técnico de informática Leonardo Andrade, 19, ficou apenas ao lado "rindo e debochando" dela enquanto era espancada.O reconhecimento era para ser feito através de um vidro, mas Sirley encontrou dois agressores no corredor do distrito. "Foi horrível. Vi o filme passando de novo na minha cabeça e chorei", desabafou a doméstica. Marcus Fontenele, advogado de Sirley, anunciou que, além da ação na esfera criminal contra os jovens, pedirá indenização por danos morais e materiais.Na manhã de quarta deve prestar depoimento o taxista que anotou a placa do carro de Felippe Netto e entregou ao porteiro do prédio onde Sirley trabalha. A polícia tenta identificar uma mulher loura que também teria sido agredida no ponto de ônibus.FamíliasApós prosperar no subúrbio e mudar-se para o "bairro dos emergentes" na praia dos "novos ricos", a família do empresário Ludovico Ramalho Bruno viveu um dia igual a de muitas famílias que vivem abaixo da linha da pobreza e se aglomeram na frente de presídios e delegacias em busca de notícias de parentes presos."Minha vida acabou", disse o empresário, que assistiu aos prantos junto com a mulher, a filha e a sogra, a transferência do filho Rubens, que saiu da delegacia escondendo o rosto e algemado.Enquanto os outros pais buscam discrição, o empresário ficou no olho do furacão ao dizer na segunda-feira aos jornalistas que "Sirley é mais frágil por ser mulher e por isso fica roxa com apenas uma encostada". Nesta terça, ele estava desolado. "Distorceram tudo que eu disse", reclamou. LadrasNa segunda, duas universitárias também foram presas na Barra da Tijuca. Alunas do 7º período de direito e moradoras de um condomínio de classe média alta em Jacarepaguá, Aline Ferreira Rique e Ana Paula Couto de Andrades, ambas com 21 anos, foram flagradas retirando as etiquetas eletrônicas de roupas avaliadas em R$ 900 de uma loja no shopping Down Town. Elas conseguiram um alvará de soltura no mesmo dia quando estavam a caminho da Polinter.

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