Justiça quebra sigilo de suspeita

Ligações de mulher que confessou ter matado Priscila serão analisadas

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

A Justiça do Rio autorizou ontem a quebra de sigilo telefônico de Elaine Paiva da Silva, de 27 anos, que confessou participação no seqüestro e a autoria do assassinato de Priscila Belfort, desaparecida desde janeiro de 2004. A polícia espera que os extratos da conta telefônica do celular de Elaine sejam fornecidos até terça-feira. Ontem, a polícia interrogou o professor de informática Adacyr Bernardo, de 43 anos. Ele revelou ter comprado um crânio entre o final de 2004 e 2005, que foi retirado da fazenda abandonada em São Gonçalo (Grande Rio), onde Priscila teria sido executada em maio de 2004. "Fazia parte de um grupo de motociclistas e usava ossos e crânios de animais para decorar motos. Um homem me ofereceu um crânio com um orifício parecido com um buraco de bala. Minha mulher não aceitou aquilo em casa e joguei no lixo", disse Bernardo. A identificação do motociclista foi possível por meio dos catadores que costumam retirar clandestinamente terra da fazenda. Eles contaram que negociam objetos encontrados no local com moradores da região. "Vamos continuar nossas buscas por vestígios do corpo de Priscila, que podem comprovar versão de Elaine", disse o delegado titular da 75ª Delegacia de Polícia, Anestor Magalhães. O delegado afirmou que mais três integrantes da quadrilha denunciada por Elaine foram identificados. Todos têm passagens pela polícia.O Ministério Público deverá também chamar para depor o namorado de Priscila na época do crime, Luiz Cláudio Corrêa Fortes, filho do ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB). O delegado-adjunto da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS), Alexandre Neto, confirmou ontem que recebeu sete denúncias sobre a execução de Priscila no local apontado por Elaine. "Tínhamos a informação, mas como chegar lá se ninguém te levar? O local é muito vasto. Na época, estivemos em um sítio próximo ao local indicado por Elaine, mas não encontramos nada", disse Neto, que comanda as investigações no inquérito original do caso Priscila. O delegado descarta a ligação do namorado de Priscila com o caso.

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