Justiça recebe nesta 3ªF inquérito sobre médico

Com 180 páginas e o depoimento de 20 pessoas, será entregue nesta terça-feira à Justiça o inquérito policial sobre o assassinato de Maria do Carmo Alves, de 46 anos, amante do médico Farah Jorge Farah, de 53 anos, que confessou o crime. Ela foi morta na madrugada do dia 25 de janeiro, na clínica de cirurgia plástica da Rua Alfredo Pujol, 84, em Santana, zona norte.Farah é acusado pelo delegado Ítalo Miranda Júnior, do 13º Distrito Policial, de homicídio, ocultação de cadáver e vilipêndio. Poderá ser condenado de 25 a 30 anos de prisão.O médico matou e esquartejou Maria do Carmo, colocou o corpo em cinco sacos de lixo e os levou no porta-malas do carro do pai, um Golf, para a casa deles em Vila Mariana. Ali atendeu uma vizinha doente, jantou, e foi para seu apartamento em Santana.Na garagem do prédio, passou os sacos com o corpo da amante para o porta-malas de seu carro, um Daewoo, e foi dormir. No dia seguinte, ele se internou numa clínica psiquiátrica e contou que matara a amante para o irmão Slema e para a sobrinha Tânia, explicando que o corpo estava no porta-malas.Ao ser preso, Farah alegou que fora atacado por Maria do Carmo com uma faca e não lembrava de mais nada. Quando voltou a si, o corpo da mulher estava em cinco sacos. Nesta segunda-feira, a polícia ouviu as três atendentes da clínica de Farah: Ernestina Leal do Nascimento, de 33 anos, Eliete Maria de Jesus Santos, de 20, e Érica Alves Porto Santos, de 22.O depoimento mais esperado era o de Érica, que estava trabalhando na tarde de sexta-feira, dia 24, quando Maria do Carmo entrou na clínica e não mais foi vista. Ela elogiou o patrão. Trabalhava havia quatro meses no turno da tarde. Entrava às 13 horas e saía antes das 18 horas. Na sexta-feira, deixou o consultório às 17h45. Lembrou que esquecera a bolsa, voltou para pegá-la e saiu. "O doutor estava sozinho. Eram quase seis horas. Não tinha ninguém com ele."Informou ainda que atendeu os telefonemas de Maria do Carmo, que insistia em falar com Farah. "Ela ligava todos os dias." Afirmou que Farah sempre foi "supercarinhoso" com os empregados e pacientes.Ernestina era a funcionária mais antiga da clínica. Trabalhava havia dez anos com Farah e ficou "chocada" e "abalada". Leu num jornal, em Fortaleza, a notícia de que o médico matara Maria do Carmo. Estava em férias e deixara em seu lugar, no período da manhã, a sobrinha Eliete.Contou que fora visitar a família em Itapipoca, interior do Ceará. "Nesses anos só posso dizer que o doutor sempre foi respeitador. Nunca vi nada de anormal na clínica."Ela contou também que Maria do Carmo "vivia" telefonando para o médico. Ele se queixara para a polícia da amante e comprara um aparelho identificador de chamadas para comprovar a perseguição.

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