Justiça rejeita pedido para soltar mulher acusada de jogar bebê na lagoa

A desembargadora da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Jane Silva, negou na tarde desta sexta-feira o pedido de liminar no habeas corpus impetrado pela defesa da promotora de vendas Simone Cassiano da Silva, de 27 anos, acusada de tentativa de homicídio qualificado contra a própria filha recém-nascida. A menina foi jogada na Lagoa da Pampulha, no último sábado. Ela foi colocada dentro de um saco plástico amarrado a um pedaço de madeira e salva por populares. Principal suspeita de ter atirado o bebê na água, Simone permanece presa na penitenciária de mulheres Estêvão Pinto. Ela nega que tenha jogado a menina - que foi registrada provisoriamente com o nome de Letícia Maria da Silva - na lagoa e diz que a entregou a um casal de andarilhos. No pedido de habeas corpus, os advogados de Simone alegaram que não houve flagrante na prisão, além da ausência de requisitos objetivos para uma eventual conversão em prisão preventiva. O delegado Bernardes afirmou que até segunda-feira encerrará a fase de depoimentos. Simone deverá ser indiciada. "Estamos na fase de conclusão desse inquérito", disse, evitando dar detalhes sobre as investigações. Ao todo, 17 pessoas já tinham sido ouvidas e faltavam três depoimentos. A previsão é que até o final da próxima semana o Instituto Médico-Legal (IML) conclua o exame de DNA que vai confirmar se a menina é realmente filha do advogado Gerson Reis Júnior, com quem Simone vivia. Retrato falado Nesta sexta-feira, a Polícia Civil de Minas Gerais apresentou o retrato falado da mulher que na madrugada da última quarta-feira teria abandonado um bebê recém-nascido no Bairro Vila Clóris, região norte de Belo Horizonte. A criança do sexo feminino foi deixada na porta da casa da economista Danielle Santos Silva, 30 anos. A menina tinha poucas horas de vida e ainda estava com o cordão umbilical. O delegado da 16º seccional, Hélcio de Sá Bernardes, disse que o retrato falado da mulher - supostamente a mãe da criança - foi feito com base no relato de uma testemunha. O profissional liberal, morador da região, disse ter abordado a mulher com a menina no colo, instantes antes dela deixar a criança na calçada. Conforme a testemunha, a mulher é morena clara, mede cerca de 1,60m, possui cabelos escuros até a altura dos ombros e aparentava ter vinte e poucos anos. Uma característica importante relatada é que a suspeita não possui a dentição superior. A testemunha contou que a mulher parecia confusa e recusou a oferta de ajuda. Segundo Bernardes, a descrição da mãe deve facilitar as investigações. Ele ressaltou, porém, que a polícia conta com a ajuda da população para identificar a autora do abandono. A criança estava internada na Maternidade Odete Valadares e a previsão é que ela receberia alta na manhã deste sábado. A assessoria de imprensa da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) disse que não poderia dar informações por ordem do Juizado da Infância e da Juventude. A juíza Neuza Maria Guido determinou que a criança não seja exposta e sua integridade seja preservada.

Agencia Estado,

03 Fevereiro 2006 | 23h01

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