Justiça soltou suspeitos de integrar quadrilha do Alemão

Dois prováveis integrantes da quadrilha chefiada por Pedro Ciechanovicz, o Alemão, de 49 anos, considerada a maior organização especializada em seqüestros do Brasil, já haviam sido presos pela Polícia Civil, mas foram soltos por determinação da Justiça.O ladrão Vanderlei José da Silva, o Dilei, de34 anos, foi preso em Sorocaba em fevereiro do ano passado com cerca de US$ 3 mil dos US$ 910 mil pagos pela liberdade do empresário Roberto Benito Júnior, de Salto, filho do dono das lojas Cem. As cédulas tinham sido marcadas pela polícia.Os policiais apuraram que Dilei tinha trocado US$ 40 mil com um doleiro e usara parte do dinheiropara comprar um carro da marca BMW. O doleiro, Osman Hassan Issa, o Turco, de 37anos, também foi preso em São Paulo.Ambos tinham passagens na polícia.Mesmo assim, a pedido do promotor MarceloMoriscot, da Vara Criminal de Salto, os dois foram colocados em liberdade. O inquéritoacabou indo para o arquivo. A ordem de soltura foi dada pela juíza Beatriz AlmeidaPrado Costa. O promotor alegou que estava se esgotando o prazo legal para prisãoadministrativa, de 60 dias, e não tinham sido juntadas provas suficientes da participaçãodos acusados no seqüestro.O fato de estarem com os dólares marcados nãocomprovava que eram cúmplices do crime, segundo ele. Na época, o delegado Ivaney Cayres de Souza, atual titular do Denarc e um dos responsáveis pela prisão do Alemão, respondia pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter 7) em Sorocaba e ficou revoltado.Ele já investigava a quadrilha e tinha certeza de que Alemão comandara o seqüestro de Benito. Mantidos na cadeia, os dois presos acabariam fornecendo elementos para a prisão do chefe muito antes do que ocorreu. Mais irritado ficou odelegado Everardo Tanganelli Júnior, então delegado seccional de Sorocaba, queprendeu os suspeitos.Ele achava que a Justiça deveria devolver o processo para novas investigações e manter os acusados presos preventivamente. "A soltura não ajuda a polícia nem a sociedade", afirmou na época.Procurado nesta terça-feira no Fórum de Saltopara comentar o caso, o promotor estava em audiência e não retornou as ligações. Ajuíza não foi encontrada.

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